Apresentação no 9º Fórum Infra detalhou a complexidade da construção, o cronograma previsto e as tecnologias digitais que deverão monitorar a estrutura.

A construção do túnel imerso entre Santos e Guarujá exigirá uma operação de engenharia de grande escala, com centenas de milhares de metros cúbicos de concreto, estruturas de aço e sistemas digitais para acompanhar o comportamento da infraestrutura. Os detalhes foram apresentados pela Mota-Engil durante o 9º Fórum Infra, em uma exposição dedicada à atualização do empreendimento.

Entre os números destacados estão aproximadamente 720 mil metros cúbicos de concreto, 100 mil toneladas de aço e 200 mil toneladas de cimento. A mobilização de materiais, equipamentos e equipes ocorrerá em uma área restrita nas duas margens do canal do Porto de Santos, exigindo planejamento logístico e medidas para reduzir os impactos sobre as comunidades locais.

Construção exige precisão milimétrica

O método construtivo prevê a fabricação de módulos de concreto em uma doca seca. Após a preparação do fundo do canal, essas estruturas serão transportadas por flutuação até os locais de instalação e posteriormente imersas e conectadas umas às outras.

A apresentação também destacou a necessidade de monitorar as condições hidrodinâmicas do canal, incluindo ondas, marés, correntes, salinidade, densidade da água e movimentação de sedimentos. Esses dados deverão contribuir para definir as condições adequadas para o posicionamento e o afundamento dos módulos.

O planejamento apresentado contempla cerca de 2 milhões de metros cúbicos de dragagem, com uso de equipamentos de alta capacidade. A preparação do leito também prevê uma camada de apoio para os elementos de concreto, cujo posicionamento exigirá elevado controle de precisão.

Outro ponto destacado foi a proteção das juntas entre os módulos e a preocupação com a estanqueidade, requisito fundamental para a segurança e a durabilidade de um túnel construído sob o canal portuário.

Infraestrutura conectada e monitoramento digital

Além da engenharia civil, a apresentação deu destaque à integração entre a estrutura física e os sistemas digitais. O projeto prevê sensores, conectividade 5G, processamento local de dados (edge computing) e um gêmeo digital (digital twin), modelo virtual que poderá representar o comportamento da infraestrutura.

A proposta é acompanhar continuamente as condições estruturais do túnel durante a construção e o período de operação, previsto em 30 anos de concessão. O monitoramento poderá apoiar a identificação de anomalias, o planejamento da manutenção, a simulação de emergências e o gerenciamento do tráfego.

Segundo a apresentação, parte do processamento deverá ocorrer em uma estrutura local, ligada ao centro de comando operacional. A estratégia busca reduzir a latência na comunicação entre sensores e sistemas de controle, aspecto relevante para aplicações que exigem respostas rápidas.

O empreendimento foi descrito como uma infraestrutura projetada para uma vida útil superior a 100 anos, o que torna o controle da fadiga dos materiais, da estanqueidade e das condições de funcionamento parte importante da estratégia de manutenção.

Cronograma prevê avanço dos projetos e das obras

Durante o fórum, o representante da empresa informou que o desenvolvimento do projeto funcional deveria avançar até julho de 2027, em paralelo à elaboração do projeto executivo. A previsão apresentada era iniciar as obras no final de 2027.

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A exposição distribuiu as etapas seguintes entre a preparação da doca seca e a dragagem, a fabricação dos elementos, a implantação dos acessos e a instalação dos sistemas de controle e informação ao tráfego. O cronograma oficial divulgado pelo Governo de São Paulo também prevê o avanço dos projetos em 2026, o início de frentes de obra em 2027 e a conclusão das etapas necessárias para a operação em 2031.

Impacto para a mobilidade e a logística portuária

A ligação fixa entre Santos e Guarujá é considerada estratégica para a mobilidade regional e para a integração terrestre entre as duas margens do complexo portuário. O projeto prevê três faixas de rolamento por sentido, estrutura adaptável à implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), passagem para pedestres e ciclistas e uma galeria técnica.

A complexidade da obra está tanto na construção dos módulos quanto na integração entre fundações, estruturas, sistemas eletromecânicos e recursos digitais. A execução também exigirá coordenação com as atividades do canal de navegação, essencial ao acesso de navios ao Porto de Santos.

A apresentação no 9º Fórum Infra evidenciou que o desafio do túnel vai além da construção de uma ligação entre os municípios: envolve a implantação de uma infraestrutura submersa que precisará ser monitorada, mantida e operada com elevados padrões de segurança ao longo de décadas.