O estaleiro da Wilson Sons instalado na Margem Esquerda do Porto de Santos, em Guarujá, prepara uma nova etapa de expansão para acompanhar o crescimento da demanda por rebocadores e serviços de apoio marítimo.
Atualmente, a unidade possui mais de 14,5 mil metros quadrados e reúne cerca de 360 profissionais entre as áreas operacional e administrativa. A estrutura é utilizada para construção, manutenção, reparos e modernização dos rebocadores da companhia.
A empresa prevê a implantação de uma nova área ao lado das instalações atuais. Com a expansão, a capacidade anual de construção poderá passar de aproximadamente quatro para oito rebocadores.
O projeto está sendo desenvolvido em uma área ainda sem edificações, que já possui contrato de locação. O processo de licenciamento ambiental está em fase inicial junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb.
Entre as estruturas previstas estão uma nova oficina, ampliação do pátio e a extensão do cais. Atualmente, o estaleiro conta com 78 metros de cais e o projeto prevê outros 72 metros.
Carteira de produção já está ocupada
A expansão ocorre em um momento de forte demanda interna da própria Wilson Sons. Segundo a empresa, a atual linha de produção já possui encomendas programadas para os próximos anos.
A companhia possui uma frota de 83 rebocadores distribuídos pelo Brasil, dos quais sete estão no Porto de Santos. A unidade santista também funciona como base de atracação.
A programação atual prevê a entrega de 14 novos rebocadores até 2029, em uma média aproximada de quatro embarcações por ano. Com a nova estrutura, a capacidade poderá chegar a oito unidades anuais.
A estratégia também poderá abrir espaço para atender clientes externos. A empresa informou que, caso a demanda própria não ocupe toda a capacidade futura, a estrutura poderá ser utilizada para projetos de terceiros.
Construção com tecnologia e fornecedores nacionais
A construção dos rebocadores é realizada a partir de projetos desenvolvidos em parceria com o grupo holandês Damen Shipyards. O modelo permite que o estaleiro brasileiro receba um pacote técnico com desenhos, especificações e informações necessárias para a fabricação e montagem das embarcações.
Parte importante da cadeia produtiva permanece no Brasil. O aço utilizado na construção dos cascos é adquirido de uma siderúrgica nacional e posteriormente processado por empresas parceiras em Santos.
Os componentes elétricos também contam com participação de fornecedores brasileiros, entre eles a WEG, que mantém uma parceria de longa duração com o estaleiro.
O processo de construção envolve a fabricação e preparação de diferentes componentes que posteriormente são montados na unidade, em uma operação que exige planejamento, mão de obra especializada e integração entre diferentes fornecedores.
Formação de profissionais
Um dos desafios apontados pela empresa é a disponibilidade de mão de obra especializada para a construção naval na região.
Como resposta, o estaleiro mantém uma parceria com o Senai para formação de profissionais dentro da própria unidade. A iniciativa prepara trabalhadores para funções como montagem, soldagem e caldeiraria.
A estratégia permite formar novos profissionais ao mesmo tempo em que amplia a disponibilidade de mão de obra qualificada para a cadeia naval e industrial.
Rebocadores com menor emissão
Além do aumento da capacidade produtiva, a Wilson Sons também avalia alternativas para reduzir as emissões de suas embarcações.
Entre os estudos estão projetos de rebocadores movidos a propulsão elétrica ou etanol. A companhia também já utiliza combustíveis de menor impacto ambiental em parte de sua frota.
No Porto do Açu, no Rio de Janeiro, três rebocadores operam com biodiesel e HVO, combustível renovável produzido a partir de óleo vegetal hidrotratado. Segundo a empresa, os testes apresentaram resultados positivos de desempenho e redução das emissões.
A expansão do estaleiro em Guarujá, portanto, combina aumento da capacidade industrial, formação de mão de obra e estudos voltados à transição energética. Para a cadeia portuária, o movimento reforça a importância da construção e manutenção de rebocadores como parte da infraestrutura necessária para acompanhar a evolução das operações marítimas.
