A presença feminina nas operações portuárias de Santos e São Sebastião será objeto de um novo levantamento conduzido pelo Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport). A iniciativa busca dimensionar com maior precisão a participação das mulheres na força de trabalho e identificar como elas estão distribuídas entre funções administrativas e operacionais.
O estudo surge em um momento de transformação no ambiente portuário. Atividades historicamente ocupadas majoritariamente por homens vêm registrando uma participação crescente de profissionais mulheres, inclusive diretamente nas operações de cais.
Segundo informações divulgadas pelo Sindaport, dados de pesquisa realizada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em conjunto com a Wista Brazil apontam que as mulheres representam 17,8% da força de trabalho do setor.
No Porto de Santos, essa mudança já pode ser observada em diferentes atividades. Mulheres passaram a integrar categorias de trabalhadores portuários avulsos e hoje atuam como conferentes de carga, consertadoras, operadoras de equipamentos e estivadoras.
Um dos movimentos mais recentes ocorreu no Ogmo Santos, que diplomou 17 mulheres na categoria de Capatazia, formando, segundo o Sindaport, o maior contingente feminino inserido em um único processo seletivo realizado pelo órgão.
APS tem 140 mulheres em seu quadro
Os primeiros números do levantamento ajudam a dimensionar essa participação.
Na Autoridade Portuária de Santos (APS), 140 mulheres atuam atualmente em diferentes funções. Desse total, 83 trabalham em atividades administrativas e outras 57 desempenham funções operacionais.
A categoria de técnico portuário concentra a maior presença feminina, com 52 profissionais. Outras 47 mulheres exercem funções de nível superior e 14 ocupam posições de liderança.
A presença feminina na administração portuária santista não é recente. O ingresso começou ainda na década de 1970, durante o período da antiga Companhia Docas de Santos, inicialmente concentrado principalmente nas funções administrativas.
A partir de 2005, concursos públicos também abriram espaço para mulheres na Guarda Portuária e em atividades de fiscalização.
Participação cresce também nos terminais
O avanço ocorre igualmente dentro dos terminais privados.
Na Brasil Terminal Portuário (BTP), por exemplo, as mulheres representavam 25% dos motoristas de tratores de terminal em 2025. A empresa também incorporou nove estivadoras após formação promovida pelo Ogmo Santos.
Outro dado demonstra avanço nas posições de comando: as mulheres passaram a ocupar 55,5% das gerências da BTP, enquanto o número de colaboradoras da companhia aumentou 43,7% entre 2023 e 2025.
Mapeamento poderá orientar mudanças nos portos
Mais do que contabilizar profissionais, o levantamento pretende produzir um diagnóstico sobre a transformação da mão de obra portuária.
Com mais mulheres chegando às áreas operacionais, questões relacionadas à infraestrutura e às condições de trabalho também ganham importância. Entre elas estão disponibilidade de sanitários e vestiários adequados, uniformes adaptados e outras estruturas necessárias para acompanhar essa mudança no perfil dos trabalhadores.
De acordo com o Sindaport, o levantamento possui finalidade acadêmica e estatística e não terá caráter fiscalizatório ou negocial.
O sindicato solicitou informações à Autoridade Portuária de Santos, DP World, CLI, Companhia Docas de São Sebastião, Rodrimar, BTP, Eldorado e Ogmo Santos.
Para o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos, conhecer esses números é fundamental para compreender a nova realidade do cais. Embora o Porto de Santos disponha de inúmeros indicadores sobre cargas, navios e caminhões, ainda não existe um retrato consolidado de quantas mulheres efetivamente trabalham no complexo portuário.
O levantamento poderá preencher justamente essa lacuna.
Um porto em transformação
A expansão feminina para funções operacionais mostra uma mudança que vai além dos números. Profissões que durante décadas estiveram associadas quase exclusivamente à mão de obra masculina começam a ganhar uma configuração diferente.
Operadoras de equipamentos, conferentes, trabalhadoras de capatazia, estivadoras, profissionais da Guarda Portuária e gestoras já fazem parte dessa nova realidade.
Com a consolidação dos dados de Santos e São Sebastião, o setor poderá ter um retrato mais preciso dessa transformação — e, principalmente, elementos para avaliar se a infraestrutura e as políticas de trabalho dos portos estão acompanhando o avanço da presença feminina.
Jornal Portuário | Redação
Com informações públicas do Sindaport e dados divulgados pelo setor portuário.
