O aumento contínuo de demanda da China vem impulsionando o mercado brasileiro em 2026. Atualmente, o Brasil é o segundo maior no ranking mundial de produção de sorgo, perdendo apenas para os Estados Unidos. A China, por sua vez, é responsável por mais de 80% das importações globais da commodity. 

Esse contexto comercial se fortaleceu depois da assinatura de um protocolo fitossanitário entre os dois países em novembro de 2024, seguido pela autorização de produtores brasileiros por Pequim em novembro de 2025. Com essas decisões, os embarques de sorgo ganharam força no primeiro semestre deste ano. Somente até agosto de 2026, o Brasil exportou 231,2 mil toneladas, com os chineses levando 196,05 mil toneladas apenas em agosto. A previsão do setor é que o país embarque até 2 milhões de toneladas do grão ao longo de todo o ano. 

Para suprir a necessidade dessa nova rota de escoamento, a companhia de soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais (VLI), deu início às primeiras movimentações de sorgo de forma ferroviária voltadas à exportação. A empresa teve que segregar ativos já existentes para a criação de um sistema único para o grão, no objetivo de evitar qualquer tipo de avaria, se em contato com outras cargas. 

Esse ajuste técnico exigiu a separação de espaços destinados em terminais de transbordo, armazéns, silos, esteiras, frota ferroviária e nos locais de embarque dos portos. Até o final do ano, a companhia estima transportar entre 800 mil e 1 milhão de toneladas de sorgo.

O modal terrestre da carga tem sido feito pela Ferrovia Centro-Atlântica, distribuído em 3 fluxos diferentes. Pelo Corredor Leste, o volume parte de Araguari (MG) e vai até ao Porto de Tubarão, em Vitória (ES), rota já utilizada na embarcação de mais de 160 mil toneladas até setembro. 

No Corredor Sudeste, o escoamento acontece de Uberaba (MG) ao Porto de Santos (SP), totalizando 90 mil toneladas movimentadas no mesmo período. Em ambos os trajetos, o destino dos navios foi a China. Essa malha ferroviária engloba as produções de Goiás e Minas Gerais, estados que concentram, nessa ordem, 26% e 19% da produção nacional do sorgo. 

Ainda em setembro, as operações na ferrovia foram ampliadas para o Corredor Norte, focada em atender os produtores da agropecuária da região de Matopiba, que engloba áreas da Bahia, Maranhão e Tocantins. A primeira movimentação dessa região rumou para o Porto de Itaqui, localizado em São Luís (MA). Os embarques dessa nova rota de distribuição portuária estão previstos para o mês de outubro, com parada projetada para o norte da África, antes de seguir para a China.

No cenário do ramo agrícola do Brasil, o sorgo atua comercialmente como um rival do milho durante o plantio da segunda safra, cultivada no período de inverno. O grão possui seu plantio concentrado entre janeiro e março e a sua colheita é realizada entre julho e agosto. 

Na perspectiva agronômica, o cultivo do sorgo apresenta a vantagem de sua produção ser mais barata, além de demandar uma menor quantidade de água e fertilizantes para seu desenvolvimento. Devido a essas características mais rústicas, os produtores agropecuários consideram o sorgo uma ótima opção de plantio quando ocorre a perda do período ideal para o cultivo do milho.

Quanto à sua utilização final, o sorgo exportado para o mercado chinês é voltado para a composição de ração animal e para abastecer a produção local de baijiu, uma bebida alcoólica típica no país. Em outras regiões globais, entretanto, o grão atua de forma direta na segurança alimentar humana, fornecendo a principal base calórica para aproximadamente 500 milhões de pessoas em países em desenvolvimento da África, da Ásia e do mundo árabe. 

Nessas regiões, a mercadoria chega a suprir até 70% do consumo diário das populações, entrando no preparo de pães, sopas e bebidas. Adicionalmente, o sorgo também chama a atenção da indústria como uma fonte viável de biomassa na fabricação de etanol, na produção de bioenergia e como base para silagem.

 

 

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