O porto de Jeddah, no Mar Vermelho, se prepara para ampliar as operações nas próximas semanas. Com as restrições no Estreito de Ormuz e no espaço aéreo do Golfo Pérsico, terminais na costa oeste saudita que costumavam receber menos de cinco navios em suas plataformas em uma única tarde, passaram a representar uma rota mais segura para a região.
A cerca de três horas ao norte, um gasoduto de 1,1 mil km foi adaptado para levar petróleo saudita até Yanbu, também no Mar Vermelho, impulsionando o tráfego na região, que cresceu cerca de um terço desde o início do conflito, segundo autoridades sauditas.
Garantir a chegada de suprimentos também é crucial, já que a região importa cerca de 85% dos alimentos. Os ataques entre EUA, Israel e Irã afetaram portos do Golfo, interrompendo cadeias de importação e exportação.
Desde o início da guerra, mais de 60 navios a caminho de portos no Golfo tiveram que mudar a rota. Alguns voltaram às suas bases na China e Índia, de acordo com dados do MarineTraffic compartilhados com a CNN. Alguns seguiram rumo a portos na Península Arábica ao longo do Mar Arábico e Mar Vermelho, outros escolheram portos regionais mais distantes.
Os portos omanenses de Sohar e Salalah, o porto emiradense de Khor Fakkan e o porto saudita de Jeddah surgiram como as alternativas necessárias para entregar carregamentos diretamente à Península Arábica.
Com a guerra avançando, cresce a preocupação em abastecer supermercados e farmácias. Charles van der Steene, diretor regional da gigante do transporte marítimo Maersk, disse que empresas de navegação estão trabalhando com governos locais para estabelecer prioridades.
Ele ainda complementa afirmando que alimentos e medicamentos são a prioridade para garantir que a população possa receber o necessário para o dia a dia.
Por ser o único país que faz fronteira com todos os vizinhos árabes do Golfo Pérsico, a Arábia Saudita lançou uma iniciativa logística para facilitar o transporte terrestre para esses países, com mais de 94 mil caminhões cruzando fronteiras. Nesse cenário, Jeddah ganha destaque como principal porta de entrada e pode registrar aumento de até 50% nas chegadas.
Apesar disso, riscos persistem. Ataques a instalações energéticas próximas e a possibilidade de escalada do conflito ainda preocupam o setor. Embora o Mar Vermelho tenha se tornado uma rota mais confiável, empresas seguem cautelosas e avaliam alternativas caso a situação piore.

