Uma carreira que atravessou quase seis décadas de transformações na navegação e no Porto de Santos agora está registrada em livro.

O prático santista Fábio Fontes lançou neste sábado, 29 de agosto, na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, sua biografia “Fábio Fontes — Uma Lenda dos Mares”. O Jornal Portuário acompanhou o lançamento, que reuniu familiares, amigos, profissionais do setor marítimo-portuário e convidados para celebrar uma trajetória que se confunde com parte da própria história recente do Porto de Santos.

A obra percorre a vida de um dos profissionais mais experientes da praticagem brasileira, cuja carreira começou em 1969 e acumula cerca de 30 mil manobras de navios.

Mais do que os números, a história de Fontes permite acompanhar também as profundas transformações vividas pelo maior porto da América Latina.

Dos sinais sonoros à tecnologia

Quando Fábio Fontes iniciou na praticagem, a realidade operacional do Porto de Santos era muito diferente da atual.

Os navios tinham dimensões bem menores e os recursos tecnológicos disponíveis aos práticos eram limitados. Em determinadas operações, a comunicação com rebocadores chegou a ser realizada por meio de apito e códigos sonoros.

Hoje, o cenário é outro.

O Porto de Santos recebe porta-contêineres de até 366 metros, enquanto a praticagem dispõe de comunicação por VHF, sistemas de monitoramento e informações sobre vento, corrente e maré para apoiar as manobras.

Fontes acompanhou essa transformação de uma posição privilegiada: o passadiço dos navios.

Uma história que começou olhando para o mar

A relação de Fábio Fontes com os navios começou ainda jovem, observando e fotografando embarcações na região da Ponta da Praia.

Mais tarde, ingressou na Marinha Mercante, onde permaneceu durante sete anos. A busca pela praticagem teve também uma motivação familiar: depois de anos navegando, queria permanecer mais próximo da esposa e dos filhos.

Em 1969, iniciou uma carreira que atravessaria diferentes gerações da navegação e do próprio Porto de Santos.

Ao longo dessa trajetória, tornou-se também presidente da Praticagem de São Paulo.

Cerca de 30 mil manobras

A estimativa é de aproximadamente 30 mil manobras realizadas ao longo da carreira.

Por trás desse número estão décadas de entradas, saídas, atracações e desatracações em um ambiente no qual vento, corrente, maré, calado, tráfego e características de cada embarcação precisam ser avaliados continuamente.

Nesse período, os navios cresceram, os rebocadores evoluíram, os sistemas de navegação se tornaram mais sofisticados e o Porto de Santos ganhou outra escala.

Fábio Fontes acompanhou tudo isso a bordo.

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Uma biografia que também preserva a memória do porto

“Fábio Fontes — Uma Lenda dos Mares” foi construída a partir de entrevistas com o próprio prático, familiares, amigos e profissionais ligados à atividade.

Os textos e a edição são das jornalistas Ivani Cardoso e Maria Fernandes Rodrigues, com design gráfico de Maria Luiza Rodrigues e coordenação do jornalista José Rodrigues.

A publicação percorre episódios familiares, os anos na Marinha Mercante e diferentes momentos de sua vida profissional.

Ao contar essa trajetória, o livro acaba preservando também um pedaço importante da memória portuária de Santos.

Fábio Fontes conheceu um porto muito diferente daquele que vemos hoje. Acompanhou a chegada de navios maiores, novas tecnologias, sistemas digitais e mudanças profundas na maneira de conduzir as operações marítimas.

O lançamento deste sábado, portanto, vai além da história de um profissional.

Ao registrar a trajetória de Fábio Fontes, “Uma Lenda dos Mares” preserva também parte da transformação do Porto de Santos vista por alguém que passou quase seis décadas conduzindo navios por seu canal.

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