O avanço da Reforma Tributária no Brasil e a extinção gradual do ICMS até 2033 estão obrigando as empresas de trading a redesenhar suas operações. Com a futura implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a competitividade do setor, que historicamente sempre dependeu de benefícios fiscais estaduais, perderá força. A mudança acerta em cheio a lógica do comércio exterior, diminuindo a atratividade de estados que utilizavam essas vantagens tributárias só para perceber a movimentação de cargas internacionais.
Para compensar o fim da guerra fiscal, a escolha dos portos para a nacionalização de mercadorias passará a ser pautada pela infraestrutura, tempo de transporte e custo real da operação. As tradings terão que focar na coordenação integrada da cadeia logística, oferecendo gestação avançada de registro, estruturação de financiamentos e controle de compliance. Investimentos em inteligência artificial e automação também viram centrais para acelerar processos e assegurar a eficiência exigida pelo mercado.
Esse novo cenário deve acelerar um ato de consolidação no setor, exigindo que as empresas pensem fora da caixa. Para Plínio Dias, head da Barter Trading, do Fiorde Group, a intermediação baseada na redução de impostos tem prazo de validade. O executivo analisa que as tradings precisarão se reposicionar de forma estratégica, assumindo a coordenação completa das etapas logísticas para garantir previsibilidade, segurança operacional e ganhos de escala aos clientes.

