O Porto de Santos cresceu muito na última década, mas ainda depende praticamente dos mesmos acessos de 80 anos atrás. O diagnóstico abriu mais um episódio do Portocast, programa que integra o Encontro Nacional Indústria Porto (ENIP), que recebeu Sérgio, responsável pelas Relações Institucionais do Grupo Cesari, empresa familiar que completa 75 anos em 2027 e tem forte atuação logística na Baixada Santista.

Ursini abriu a conversa destacando sua admiração por grupos familiares que alcançam grande porte, comandados por pais e filhos e por profissionais com muitos anos de casa, e que geram emprego e desenvolvimento na região.

Acessos e produtividade

Para Sérgio, quando os acessos ao porto foram planejados, ninguém imaginava a relevância e o volume de movimentação que Santos teria hoje. Ele cita alternativas em discussão, como a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes e a ferrovia interna do porto (FIPS), que deve trazer alívio ao fluxo de cargas.

Mas, na avaliação do executivo, o problema central está na produtividade. A demora nos processos de liberação de carga e na própria operação cria gargalos que se refletem diretamente no trânsito. Ele defende automatizar operações e adotar práticas já consolidadas em portos estrangeiros para reduzir o tempo de carga e descarga.

O raciocínio é simples: se um caminhão faz três ou quatro viagens por dia, a operação é eficiente. Se faz apenas uma, são necessários mais veículos para transportar o mesmo volume, o que congestiona os acessos.

A conta do custo fixo

Sérgio fez o que chamou de “conta de padaria”. Um caminhão moderno tem custo fixo próximo de R$ 100 mil. Com 20 viagens por mês, isso representa R$ 5 mil por viagem. Com 50 viagens, o custo cai para R$ 2 mil. “Não ganha quem está transportando, e você onera a ponta, que é o consumidor”, resumiu.

Ursini acrescentou o impacto ambiental. Menos eficiência significa mais equipamentos, mais poluição e mais desgaste das rodovias, que exigem manutenção e, consequentemente, mais consumo de petróleo. Sérgio concordou: qualquer que seja a fonte de energia, o primeiro passo é usar menos.

Integração de serviços

Questionado sobre como o grupo acompanha o crescimento da demanda, Sérgio respondeu com uma palavra: investimento. O Grupo Cesari começou apenas com transporte e hoje oferece serviços complementares, como depot, um ramal ferroviário próprio de cerca de seis quilômetros, grandes áreas de armazenagem e um REDEX voltado à exportação.

Segundo ele, cerca de metade do fertilizante que chega a Santos passa, de alguma forma, pelo TELOC, o Terminal Logístico Cesari. Há cerca de dois anos, o grupo também passou a operar algodão: recebe os fardos por rodovia e ferrovia, estufa os contêineres e os disponibiliza para exportação.

Para Sérgio, Santos “está condenado a crescer”. O Brasil já lidera a produção de soja, avança no milho e exporta volumes expressivos de etanol. O porto precisa ganhar eficiência para absorver esse crescimento, e a estratégia do grupo é buscar nichos que complementem o que já faz.

Segurança em primeiro lugar

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O executivo destacou a ordem de prioridades da empresa: primeiro a vida, depois o meio ambiente e, por último, o patrimônio. Ursini lembrou o apoio do grupo no combate ao grande incêndio na Alemoa, que durou mais de dez dias. Na ocasião, a empresa mobilizou mais de 40 caminhões para levar água ao local.

O grupo também promove treinamentos com o Corpo de Bombeiros sobre os produtos transportados na região. A meta, segundo Sérgio, é estar preparado para que eventuais sinistros não alcancem a proporção de episódios passados, como os de Cubatão e Vila Socó.

Educação como “menina dos olhos”

Ursini destacou a universidade corporativa do grupo, criada para preparar talentos dentro da própria equipe. Sérgio a chamou de “a menina dos olhos” da empresa. O programa atende jovens aprendizes e colaboradores, além de públicos externos que precisam de capacitação em atendimento a emergências.

Na formação dos jovens, o objetivo vai além do trabalho: transmitir desde cedo a cultura da empresa e valores como família, ética e moral. “Não é só preparar para o trabalho, é formar cidadãos”, afirmou.