Vento e sol podem ganhar um novo papel na corrida pela descarbonização do transporte marítimo. Uma tecnologia desenvolvida pela empresa islandesa SideWind está sendo testada em condições reais de navegação com uma proposta diferente: transformar estruturas semelhantes a contêineres em unidades capazes de aproveitar energia eólica e solar a bordo.

Dois desses módulos chegaram recentemente à Islândia, transportados pelo navio Helgafell, após uma etapa de testes no mar. Os equipamentos combinam duas fontes renováveis, vento e radiação solar, em uma única solução destinada ao ambiente marítimo.

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A iniciativa faz parte do WHISPER, projeto europeu de inovação que reúne tecnologias destinadas a tornar o transporte marítimo mais sustentável. O objetivo dos testes é observar o comportamento dos equipamentos fora do laboratório, submetendo-os às condições encontradas durante a navegação.

Energia renovável dentro da operação

A proposta chama atenção justamente pela simplicidade do conceito. Em vez de depender exclusivamente de grandes alterações estruturais no navio, a tecnologia utiliza módulos que lembram contêineres e funcionam como plataformas de geração renovável.

Na prática, a energia produzida pode contribuir para diminuir a demanda energética proveniente dos sistemas convencionais da embarcação. O potencial de redução de combustível e emissões, entretanto, dependerá do desempenho observado durante os testes e da forma como a tecnologia poderá ser integrada às operações dos navios.

O desenvolvimento acontece em um momento no qual armadores, estaleiros e empresas de tecnologia procuram diferentes caminhos para reduzir a pegada de carbono da navegação. Combustíveis alternativos, eletrificação, assistência eólica, sistemas híbridos e soluções de eficiência energética passaram a dividir espaço nessa corrida tecnológica.

O próprio navio como plataforma energética

Mais do que substituir imediatamente os combustíveis utilizados pela navegação, tecnologias como a da SideWind apontam para outra possibilidade: aproveitar diferentes áreas disponíveis das embarcações para produzir parte da energia necessária durante a viagem.

Sol, vento e sistemas de recuperação ou otimização energética podem, no futuro, trabalhar de maneira complementar.

Os testes realizados com os módulos do projeto WHISPER serão importantes justamente para avaliar até onde essa ideia pode avançar em condições reais de operação.

Para uma indústria que movimenta mercadorias pelos oceanos em escala global, cada parcela de combustível economizada pode ganhar relevância quando multiplicada por milhares de viagens.

A transição energética da navegação, portanto, talvez não dependa de uma única grande tecnologia. Ela pode surgir da combinação de várias soluções, e algumas delas poderão viajar a bordo em algo muito parecido com um contêiner.