O tão aguardado leilão do Tecon Santos 10, um dos maiores projetos de expansão da história do Porto de Santos, deverá ficar para 2027. A previsão foi apresentada pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, que afirmou que o Governo Federal trabalha para publicar o edital do empreendimento ainda em 2026.
Segundo o ministro, após a publicação do edital será necessário cumprir o intervalo regulatório até a realização do certame.
“Num processo como esse a gente deve ter um edital em 60 a 90 dias, mas provavelmente o leilão deve acontecer nos primeiros meses de 2027”, afirmou Franca.
A declaração foi feita em 30 de julho e confirma mais um ajuste no cronograma de um projeto que vem sendo discutido há anos e já passou por diferentes modelagens.
Investimentos podem chegar a R$ 6,45 bilhões
O Tecon Santos 10 está projetado para ser um dos maiores terminais de contêineres do país.
A previsão considerada atualmente aponta para investimentos de até R$ 6,45 bilhões, com contrato inicial de 25 anos, podendo alcançar até 70 anos conforme as condições estabelecidas na futura concessão.
O projeto poderá proporcionar uma expansão de aproximadamente 50% na capacidade de movimentação de contêineres do Porto de Santos, tornando-se peça fundamental para atender ao crescimento projetado da demanda.
Estudos da Antaq estimam que o Complexo Portuário de Santos poderá passar de uma demanda tendencial de aproximadamente 5,6 milhões de TEUs em 2026 para 7,3 milhões de TEUs em 2035.
Essa perspectiva aumenta a pressão para que novas capacidades sejam disponibilizadas antes que os atuais terminais atinjam níveis críticos de utilização.
Quem poderá disputar o Tecon Santos 10?
O principal ponto de divergência continua sendo o modelo concorrencial do leilão.
No centro da discussão está a possibilidade de empresas que já operam terminais de contêineres no Porto de Santos participarem ou não da disputa pelo novo ativo.
A questão ganhou relevância porque o Tecon Santos 10 terá escala suficiente para alterar significativamente a configuração do mercado de contêineres no maior porto da América Latina.
De um lado, existe a preocupação regulatória de evitar uma concentração excessiva do mercado. De outro, representantes do setor defendem uma licitação com maior número possível de participantes qualificados, argumentando que uma disputa aberta pode elevar a concorrência pelo ativo e maximizar os investimentos.
A definição dessas regras será determinante para saber quais dos grandes grupos portuários e armadores internacionais poderão efetivamente entrar na disputa.
Projeto ainda terá mudanças
Segundo o ministro Tomé Franca, a modelagem do Tecon Santos 10 ainda deverá passar por ajustes antes da publicação definitiva do edital.
O projeto já foi reprogramado diversas vezes justamente em razão das discussões envolvendo concorrência, concentração de mercado e participação dos atuais operadores do Porto de Santos.
A própria Antaq determinou uma nova análise concorrencial do empreendimento, levando em consideração as mudanças ocorridas no mercado desde os estudos anteriores e a atual configuração dos terminais de contêineres de Santos.
Porto de Santos precisa correr contra o crescimento da demanda
Mais do que uma discussão sobre um novo terminal, o Tecon Santos 10 tornou-se uma questão estratégica para o futuro do principal porto brasileiro.
As projeções oficiais apontam crescimento contínuo da carga conteinerizada nas próximas décadas. No cenário tendencial utilizado nos estudos da Antaq, Santos poderá superar 8,4 milhões de TEUs em 2040 e ultrapassar 11 milhões de TEUs próximo de 2050.
O desafio é garantir que a infraestrutura avance antes da demanda.
Sem novos terminais, berços, equipamentos e melhorias nos acessos terrestres, o crescimento do comércio exterior poderá resultar em maior ocupação dos terminais, aumento do tempo de espera dos navios e elevação dos custos logísticos.
2027 pode finalmente ser o ano do Tecon Santos 10
A declaração do ministro coloca um novo horizonte para um dos projetos portuários mais aguardados do Brasil.
Se o Governo Federal conseguir concluir os ajustes regulatórios e publicar o edital ainda em 2026, os primeiros meses de 2027 poderão marcar finalmente a realização do leilão do Tecon Santos 10.
Até lá, entretanto, permanece uma pergunta que poderá definir não apenas o resultado do certame, mas a futura configuração do mercado de contêineres no Porto de Santos:
quem poderá disputar o maior terminal de contêineres projetado para o principal porto brasileiro?
