A relação entre a Vale e a companhia marítima sul-coreana HMM ganhou um novo capítulo de longo prazo. As empresas fecharam um acordo avaliado em aproximadamente 4,7 trilhões de won sul-coreanos, cerca de US$ 3,5 bilhões, para o transporte marítimo de minério de ferro.
O novo contrato terá uma dimensão expressiva: oito graneleiros Newcastlemax de 210 mil toneladas de porte bruto (DWT) serão incorporados à operação. As embarcações começarão a ser entregues sequencialmente a partir de 2030 e cada navio ficará vinculado ao transporte por um período de 25 anos.
O acordo representa o terceiro grande contrato de longo prazo entre HMM e Vale, ampliando uma parceria que vem ganhando espaço na estratégia das duas companhias.
Em 2025, outros dois contratos de dez anos já haviam sido firmados entre as empresas. Juntos, esses acordos anteriores somaram aproximadamente 1,1 trilhão de won.
Nova geração de graneleiros
Além da duração do contrato, a tecnologia prevista para os novos navios chama atenção.
Os oito Newcastlemax deverão receber sistemas de propulsão capazes de operar com metanol, etanol e combustível marítimo convencional. O projeto também será preparado para futuras adaptações ao uso de GNL e amônia.
Outra solução prevista são os chamados rotor sails, equipamentos instalados no convés que utilizam a força do vento para auxiliar a propulsão da embarcação. A tecnologia pode contribuir para a redução do consumo de combustível e, consequentemente, das emissões durante as viagens.
A combinação dessas soluções coloca os novos graneleiros dentro de uma tendência cada vez mais presente na navegação internacional: construir hoje embarcações capazes de acompanhar diferentes caminhos tecnológicos durante a transição energética do setor marítimo.
Contrato atravessa décadas
A dimensão temporal do negócio também merece atenção. As operações começam a partir de 2030 e, considerando a entrada gradual das embarcações e os 25 anos previstos para cada uma, o relacionamento comercial associado ao acordo poderá avançar até meados da década de 2050.
Para a HMM, contratos dessa natureza representam uma forma de assegurar cargas e receitas de longo prazo em um mercado marítimo historicamente marcado pela volatilidade dos fretes.
A companhia sul-coreana também vem buscando ampliar sua presença no transporte de granéis e reduzir sua dependência do segmento de contêineres.
Para a Vale, o movimento reforça a construção de uma cadeia marítima de longo prazo para o escoamento de minério de ferro, ao mesmo tempo em que incorpora embarcações preparadas para tecnologias de menor intensidade de carbono.
Vale amplia produção e vendas
O acordo acontece em um momento de avanço operacional da mineradora brasileira. No segundo trimestre de 2026, a Vale produziu 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro, maior resultado para um segundo trimestre desde 2018.
As vendas chegaram a 79,7 milhões de toneladas, crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nesse cenário, assegurar capacidade marítima de longo prazo ganha importância estratégica. O minério pode sair da mina por ferrovia e chegar aos terminais portuários, mas sua competitividade internacional também depende de uma cadeia marítima capaz de transportar grandes volumes de forma eficiente e previsível.
Com oito novos gigantes de 210 mil DWT entrando nessa equação, Vale e HMM não estão olhando apenas para a próxima viagem. O contrato coloca no horizonte uma parceria logística que deverá atravessar as próximas décadas.