Há cerca de 12 anos houve a proposta de instalação de um estaleiro de manutenção na Ilha dos Bagres, no Canal do Estuário, em Santos.
Ele seria parte de um projeto de terminal de uso privado e permitiria a docagem de embarcações para manutenção e reparos, algo que falta para o Porto de Santos alcançar a condição de complexo de classe mundial.
Fazia sentido, pois intervenções de maior porte implicavam levar os navios a estaleiros do Rio de Janeiro.
Por questões que não cabem considerar neste artigo, esse projeto foi descartado pouco tempo depois.
Considerando a importância do complexo portuário local ser dotado desse tipo de infraestrutura, passei a pesquisar sobre possibilidades, inclusive orientando um trabalho de conclusão de curso de Engenharia Civil sobre o tema.
Eu já sabia que a Usiminas produzia “blancks” para indústria náutica e, numa consulta direta, soube que a Usiminas Mecânica cogitava a construção de uma fábrica de blocos navais em sua unidade da Baixada Santista.
Esse projeto também foi descontinuado e pouco tempo depois a Usiminas desativou seus altos-fornos.
A indústria naval estava em baixa no Brasil, mas a extração de petróleo e gás na Bacia de Santos estava em franco desenvolvimento, demandando instalações de apoio “offshore” na região. No entanto, Rio de Janeiro e Bahia, que já dispunham desse tipo de instalação, passam a disputar, com vantagem, esse mercado.
Mais recentemente, o descomissionamento de embarcações e plataformas oceânicas passou a ser discutido, e a Gerdau se habilitou a providenciar seu desmantelamento, utilizando a sucata em suas usinas semi-integradas no Rio Grande do Sul, dotadas de fornos elétricos a arco, de melhor eficiência energética, para a produção de aço.
Lembrei que a Usiminas utilizava sucata em sua aciaria, contribuindo para a reciclagem desse material “nobre”. Também recordei que uma das maiores dificuldades para a retirada de circulação de veículos obsoletos, impedindo sua “canibalização”, era a falta de siderúrgicas e metalúrgicas com capacidade para atender essa demanda.
Com a desativação dos alto-fornos, os pátios de minério e alguns dos berços de atracação da Usiminas ficaram ociosos, e milhares de empregos foram descontinuados, prejudicando a socioeconomia de Cubatão.
Um baita problema, difícil de ser equacionado.
A BR do Mar trouxe incentivos à navegação de cabotagem e à implantação/reativação de estaleiros. Alguns contratos da Marinha do Brasil também foram assinados, com destaque para a produção de fragatas classe Tamandaré no Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí/SC.
Há poucos dias, ouvi de uma fonte informal que a Usiminas cogitaria instalar um forno elétrico a arco (FEA) no complexo de Cubatão.
Caso isso ocorra, a proposta de criação de uma fábrica de blocos navais pela Usiminas Mecânica pode ser retomada.
Um dique seco, inundável, poderá ser construído na margem direita do Canal de Piaçaguera, na região do Dique do Furadinho, o que permitirá fazer a remediação do solo a ser escavado. Ele poderá ser parte de um estaleiro de manutenção de embarcações e plataformas “offshore”, utilizando o aço produzido pela Usiminas. No caso de descomissionamentos, a sucata será reciclada na usina, o mesmo valendo para alguns dos milhares de veículos obsoletos, sobretudo caminhões, que circulam no complexo portuário, contribuindo para a efetivação de programas de renovação de frota.
Mesmo os berços de atracação da Usiminas poderão ser parte dessas novas atividades.
Novos empregos bem qualificados e remunerados e nova economia serão gerados em Cubatão, beneficiando toda a região.
Quem sabe se, além de um possível interesse da Usiminas nesse mercado, a BR do Mar aportará parte dos recursos necessários.
Creio que é algo para ser avaliado.