19/01/2026 às 12h33min - Atualizada em 19/01/2026 às 12h33min

QUEM NÃO MEDE…

por: Adilson Luiz Gonçalves

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Adilson Luiz Goncalves

Adilson Luiz Goncalves

Colaborador na coluna Relação Porto-Cidade.

foto meramente ilustrativa

… não gerencia” é uma frase que sintetiza as percepções de William Edwards Deming e Peter Drucker. Como quase tudo ao longo da civilização, alguém já deve ter pensado nisso, mas quem teorizou e publicou “leva a fama”.

As pesquisas, sejam elas acadêmicas ou de mercado, quantitativas ou qualitativas, existem para fornecer os indicadores necessários a uma análise objetiva, imprescindível ao planejamento estratégico. No entanto, o grande desafio está em isentá-las de tendenciosidades. Caso contrário, valerá a percepção de que a Estatística “é a arte de torturar os números até que eles confessem”, ou a contaminação acadêmica que leva às chamadas “profecias autorrealizadas”.

Quando se fala de desenvolvimento sustentado, o desafio é ainda maior, pois é difícil conciliar de forma equilibrada aspectos ambientais, sociais e econômicos. Mesmo quando se trata de visões “mais recentes” do tema, como ESG e os ODS, há tendência de alguns considerarem alguns temas mais relevantes do que outros.

Conciliar todas as visões e interesses é um processo complexo, mas é indispensável quando se trata de planejamento estratégico de médio e longo prazo. No caso de governos, ainda há o risco de limitar as ações aos períodos de mandato, correndo o risco de investir mal sem resolver problemas, agravando-os ou criando outros.

O ideal é, além de definir indicadores pertinentes, criar modelos de simulação que permitam a avaliação de cenários e grau de efetividade de ações. Em suma, avaliar as consequências ambientais, sociais e econômicas de propostas, quaisquer que sejam.

Além disso, é preciso alimentar e retroalimentar dados e aprimorar algoritmos. Afinal, de nada adianta ter supercomputadores à disposição sem isso.
Existem modelos matemáticos e físicos que permitem avaliar cenários de vários tipos: ambientais, sociais e econômicos. Porém, nem sempre eles conseguem integrar de forma harmônica todos os aspectos envolvidos, ainda mais quando contaminados de forma ideológica.

E mesmo quando o modelo é desenvolvido com o máximo de honestidade intelectual e competência técnica, as externalidades e o imponderável podem prejudicar as iniciativas consideradas de melhor potencial.

Sempre será preciso saber se “combinaram com os russos”, como ponderou Garrincha.
É difícil falar em desenvolvimento sustentado quando ativismos radicais e interesses externos que os financiam têm à sua disposição meios de entrave sistemático, prejudicando até o que dizem defender ou proteger, colocando discursos, crenças e narrativas acima de interesses estratégicos nacionais.

O arcabouço legal permite isso.

Tomando como referência mais um dos modelos que sintetizaram o que já se fazia: a matriz FOFA (SWOT, na sigla em inglês), toda a proposta tem suas Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. Infelizmente, as fraquezas e ameaças têm limitado as oportunidades, por mais que as forças sejam patentes.

Como simuladores de cenários poderiam ajudar a contornar barreiras ideológicas e interesses baseados em narrativas e suposições cheias de paixão, às vezes de vaidades, mas carentes de racionalidade e de noção de consequências?

Bem, se eles confrontarem os argumentos dos ativistas institucionais e não governamentais com os resultados potenciais de suas propostas, pode ser que eles reavaliem seus conceitos.
O problema é se a resistência ao desenvolvimento sustentado se tornou um meio de vida, um mercado de trabalho único para as formações, crenças ou falta de opções de quem nele milita. É uma ameaça que paira sobre qualquer projeto de desenvolvimento socioeconômico, por mais sustentável que se apresente, com todos os detalhes e argumentos que o embasem.

Tem sido regra questionar e judicializar, ignorando as consequências.
Sei que é difícil contrapor fatos para quem tem ideais, ainda mais para quem colocou todas as expectativas de suas vidas nisso, crendo que não existe nada aceitável fora de sua forma de pensar e atribuir valores.

Milhões de empregos deixarão de ser criados.

Milhões continuarão a depender de um “programa de distribuição de renda” com recursos de quem trabalha e empreende, o que nunca dará autonomia econômica aos que o recebem, camufla o desemprego e estimula a economia informal, que nada arrecada.
Milhões deixarão de ter acesso à saúde, à educação, inclusive profissionalizante, à mobilidade física e social e à segurança de boa qualidade, pois os recursos financeiros dependem da economia.

É preciso medir e simular cenários para eliminar achismos, paixões e vaidades em decisões que precisam ser pragmáticas, abrangentes e consequentes.
É preciso que cada parte explicite o que prejudica seus conceitos e interesses, para que prós e contras façam parte de uma simulação que auxilie a definir qual a melhor solução possível de forma holística.

É deixar suficientemente claros os resultados que intransigências e radicalismos, que tenham como argumentos suposições e discursos panfletários.
Será preciso revisar legislações, mudar a forma de provimento de certas funções-chave ou limitar seu poder e/ou responsabilizar quem prejudica o desenvolvimento sustentado do país e a qualidade de vida da população, por não considerar as consequências de seus atos?

A simulação de cenários por meio de algoritmos adequados, municiados com dados confiáveis, mensuráveis, pode ajudar nesse processo.
Alguns podem considerar que essa abordagem é excessivamente tecnicista ou insensível. No entanto, não há como pensar em desenvolvimento sustentado sem considerar todos os aspectos envolvidos de forma equilibrada, livre de paixões, preferências ou asseguração de mercado de trabalho aos que atuam em certas áreas.
Na prática, trata-se de aproveitar da análise cartesiana para evoluir na análise holística, de aprimorar o processo dialético.

No entanto, talvez isso não seja suficiente, pois sempre haverá quem usará de todos os recursos para impor sua concepção do que é o ideal para a sociedade e para o país.

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