As obras de revitalização do antigo Armazém 7, no Porto de Santos, avançam e já entram na fase final da primeira etapa. O prédio histórico vai abrigar um centro tecnológico e educacional voltado ao desenvolvimento portuário e à integração entre o Porto e a cidade. O espaço está localizado no cais, próximo ao prédio da Alfândega, ao lado do Parque Valongo e do Centro Histórico.
A previsão da Autoridade Portuária de Santos (APS) é concluir até abril a reconstrução do edifício respeitando suas características originais. Na sequência, será apresentado um plano de destinação que detalhará o uso do espaço. A expectativa é que o centro esteja em pleno funcionamento até 2027.
Paralelamente, também está em andamento a revitalização da Casa de Máquinas nº 2, construída no final do século 19 e considerada um dos ícones históricos do Porto de Santos. Os dois equipamentos serão administrados pela APS e terão pautas voltadas ao interesse da comunidade portuária, com foco na integração Porto-Cidade.
A reconstrução do Armazém 7 e da Casa de Máquinas nº 2 integra um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2023 entre a APS, o Ministério Público e o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa). O acordo prevê a recuperação de edificações históricas no âmbito da revitalização do Centro de Santos.
✅ Clique aqui para seguir o canal do Jornal Portuário no WhatsApp
Pelo TAC, os dois imóveis foram realocados para permitir a ampliação das linhas férreas utilizadas pela empresa Cofco. Como contrapartida, a empresa custeia a reconstrução das edificações, com execução da Pro Ativa Arquitetura.
Segundo o presidente em substituição da APS, Beto Mendes, a iniciativa reforça o compromisso da Autoridade Portuária com a preservação da memória do Porto. “É uma ação que impacta diretamente a revitalização da área portuária e do Centro Histórico, fortalecendo a relação Porto-Cidade e trazendo benefícios à população da Baixada Santista”, afirma.
Já o superintendente de Tecnologia da Informação da APS, Marcus Teixeira, destaca o potencial de desenvolvimento regional. “A proposta é criar um polo que integre ensino, pesquisa, difusão tecnológica e transformação digital, com foco no desenvolvimento portuário”, explica.
Com mais de mil metros quadrados, o Armazém 7 mantém o projeto original de 1899. Diferente da maioria dos armazéns do cais, a edificação foi pré-fabricada na Alemanha e montada em Santos com peças trazidas por navio. Por isso, a reconstrução prevê revestimento em chapas metálicas, preservando a concepção original, e não paredes de alvenaria.
Alterações feitas na década de 1940 também estão sendo revertidas. O prédio voltará a ter a cor original, em tonalidade próxima ao salmão, além do telhado em formato de V, que já está concluído. Restam serviços de revestimento, pintura, instalações elétricas e acabamentos finais.
A Casa de Máquinas nº 2, por sua vez, tem reconstrução mais complexa. O edifício foi erguido com alvenaria de pedra, com paredes de até 60 centímetros de espessura. Para preservar o estilo, está sendo utilizado o método de anastilose, com reaproveitamento das pedras originais, que foram numeradas e reposicionadas.
Além disso, a estrutura receberá reforço em concreto para minimizar impactos da trepidação causada pela circulação de trens. A chaminé original, com 26 metros de altura, será reconstruída, assim como as esquadrias de madeira. A conclusão da obra está prevista para 2027.
O Armazém 7 integra um amplo processo de revitalização da região central de Santos. As antigas ruínas dos armazéns 4, 5 e 6 deram lugar ao Parque Valongo, que hoje conta com espaço coberto e climatizado, jardins, quadra de beach tennis, playground, píer de contemplação e plataforma flutuante para embarcações.
Localizado no berço do Porto de Santos, onde surgiram os primeiros atracadouros há cerca de 400 anos, o parque simboliza a requalificação do Centro Histórico. O projeto se conecta a outras intervenções urbanas, como a revitalização da Rua Tuiuti, da Praça Barão do Rio Branco e da Passarela Porto-Cidade Engenheiro José Colla, inaugurada em junho.