A operação para resgatar um dos maiores símbolos da ciência marítima brasileira avançou oficialmente no Porto de Santos. O 8º Distrito Naval da Marinha do Brasil aprovou, na última sexta-feira (24), o plano de remoção do navio oceanográfico Prof. W. Besnard, apresentado pela empresa contratada emergencialmente pela Autoridade Portuária de Santos (APS).
A embarcação adernou no último 13 de março, permanecendo parcialmente submersa junto ao cais do Parque Valongo, o que mobilizou uma força-tarefa técnica envolvendo APS, Capitania dos Portos e empresa especializada em salvamento marítimo.
Segundo a APS, o plano de salvamento prevê o restabelecimento gradual da flutuabilidade, por meio da drenagem interna da água acumulada, vedação de compartimentos e outras ações técnicas de reflutuação. Assim que o navio estiver em condições estruturais adequadas, ele será rebocado para um estaleiro, onde passará por perícia para avaliar a viabilidade de um eventual restauro, ainda que parcial.
Os serviços vêm sendo executados desde 31 de março, com trabalhos de mergulho, inspeção subaquática, limpeza do casco, vedação de fissuras e monitoramento contínuo da estrutura. A operação tem sido tratada como prioridade absoluta, principalmente por envolver segurança da navegação, prevenção ambiental e preservação histórica.
A contratação emergencial da empresa Marfort Serviços Marítimos teve custo estimado em R$ 8,6 milhões, abrangendo mergulho técnico, içamento, contenção de poluentes, metodologia de reflutuação e docagem em estaleiro.
Embora a embarcação pertença atualmente ao Instituto do Mar, após ter sido doada pela Universidade de São Paulo (USP), a APS assumiu a responsabilidade direta pela remoção em razão da situação emergencial declarada pela Capitania dos Portos.
O Prof. W. Besnard é considerado um marco da oceanografia nacional. O navio participou da primeira expedição brasileira à Antártida e realizou dezenas de missões científicas, contribuindo para estudos oceanográficos e climáticos do Atlântico Sul.
No meio portuário, a expectativa é de que a operação também represente um passo importante para a futura preservação museológica da embarcação, projeto que há anos vem sendo debatido por entidades locais e ligadas à memória marítima de Santos.