Juventude quer trabalhar, mas mercado ainda não sabe incluir, revela estudo

Entre a vontade e a oportunidade: o desencontro entre jovens e empresas no Brasil

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Juventude quer trabalhar, mas mercado ainda não sabe incluir, revela estudo
@imagem gerada por IA

Um novo retrato do mercado de trabalho brasileiro escancara um problema que vai muito além da falta de vagas. A pesquisa inédita “Horizonte Comum”, do Instituto PROA, revela que o principal desafio da empregabilidade jovem está no desencontro entre expectativas, realidade social e práticas corporativas ainda pouco inclusivas.

Com mais de 500 participantes entre jovens e empregadores, o estudo mostra que o desejo de trabalhar existe, e é forte. Cerca de 75% dos jovens afirmam querer construir uma carreira, mas quase metade não sabe como dar os primeiros passos no mercado formal.

Do outro lado, empresas seguem operando com modelos tradicionais que pouco dialogam com a realidade dessa juventude. A pesquisa aponta que empregadores ainda tratam jovens como um grupo homogêneo, ignorando fatores como origem social, acesso à educação e diferenças culturais, o que dificulta a inclusão efetiva.

Outro dado que chama atenção é o ambiente de trabalho. Apenas 36% dos jovens se sentem bem-vindos nas empresas, enquanto um número significativo relata experiências negativas, como desrespeito e falta de reconhecimento.

A precariedade fora do ambiente corporativo também pesa. A maioria dos jovens vive com renda familiar de até dois salários mínimos e enfrenta limitações básicas, como falta de espaço adequado para estudo ou trabalho remoto. Esse cenário impacta diretamente o desempenho e a permanência no emprego.

Para as empresas, o problema costuma ser interpretado como falta de preparo ou comprometimento. No entanto, o estudo sugere o contrário: a alta rotatividade e a dificuldade de retenção estão mais ligadas à ausência de perspectivas de crescimento, ambientes pouco acolhedores e falta de programas estruturados de desenvolvimento.

A chegada da Inteligência Artificial adiciona uma nova camada ao debate. Embora seja vista como ferramenta de inovação, mais de 70% das empresas ainda não discutem seus impactos de forma estruturada, especialmente nos cargos de entrada.

Entre os jovens, o uso da tecnologia já é realidade, mas de forma desorganizada e sem orientação. O resultado é um cenário paradoxal: a IA pode abrir portas, mas também reforçar exclusões, principalmente quando utilizada em processos seletivos automatizados sem critérios inclusivos.

O estudo conclui que o problema da empregabilidade jovem não está apenas na qualificação técnica, mas em questões estruturais, simbólicas e relacionais. A solução, segundo o PROA, passa por um conceito-chave: mediação.

Isso significa criar pontes reais entre empresas e jovens, revisar práticas de recrutamento, investir em formação e, principalmente, reconhecer que inclusão produtiva não acontece apenas com discurso, mas com mudança concreta nas estruturas.

No fim, a pergunta que fica não é se os jovens estão preparados para o mercado.

É se o mercado está pronto para eles.

Créditos:
Conteúdo baseado na pesquisa “Horizonte Comum: Juventude e Empregadores na Agenda da Inclusão Produtiva”, desenvolvida pelo Instituto PROA.

Saiba mais e acesse o material completo em:
https://www.proa.org.br


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