O novo terminal da APM Terminals em Suape deixou oficialmente a fase de implantação para entrar no mapa das operações comerciais. A estreia ocorreu com a escala do porta-contêineres Maersk Ganges, marcando o início de uma estrutura que promete ampliar a capacidade logística de Pernambuco e modificar a competição por cargas no Nordeste.
Registros do movimento oficial de navios mostram que a embarcação atracou no novo terminal na tarde de 1º de setembro e concluiu sua passagem por Suape no dia seguinte. O navio integra o serviço de cabotagem ALCT2, que conecta diferentes regiões da costa brasileira.
A linha atende os portos de Pecém, Salvador, Santos, Itapoá, Rio Grande e Imbituba, além de Suape. A programação prevê duas escalas semanais no terminal pernambucano, aumentando a oferta de janelas para embarques e desembarques de cargas nacionais.
Investimento superior a R$ 2 bilhões
O empreendimento recebeu mais de R$ 2 bilhões em investimentos e inicia suas atividades com capacidade para movimentar até 400 mil TEUs por ano. Segundo as projeções divulgadas, a nova estrutura poderá elevar em aproximadamente 55% a capacidade de contêineres do Complexo Portuário de Suape.
O terminal ocupa uma área de aproximadamente 495 mil metros quadrados e possui cais com 430 metros de extensão. Com profundidade de até 15,5 metros, a instalação foi projetada para receber navios de grande porte empregados nas principais rotas internacionais.
A estrutura conta ainda com capacidade estática próxima de 12 mil TEUs e mais de 300 tomadas para contêineres refrigerados, segmento importante para as exportações de frutas, alimentos e outros produtos perecíveis do Nordeste.
Operação elétrica e controle remoto
A APM Terminals apresenta a unidade como o primeiro terminal de contêineres totalmente eletrificado da América Latina. Os principais equipamentos de cais e pátio utilizam energia elétrica e podem ser operados remotamente.
A estrutura também incorpora portões automatizados, balanças integradas, scanners e sistemas digitais voltados ao controle das operações. A eletrificação tende a reduzir emissões locais, ruído e consumo de combustíveis fósseis durante a movimentação interna dos contêineres.
Isso não significa, por si só, que toda a operação seja livre de emissões. O resultado ambiental dependerá também da origem da energia utilizada e das demais atividades logísticas ligadas ao terminal. Ainda assim, o projeto estabelece um novo padrão tecnológico para o setor portuário brasileiro.
Nova configuração competitiva
A entrada da APM Terminals amplia a oferta de infraestrutura para contêineres em Suape e cria novas alternativas para armadores, importadores e exportadores.
O terminal nasce com a proposta de atender o mercado pernambucano e funcionar como ponto de conexão de cargas do Norte e do Nordeste. A localização de Suape, próxima às principais rotas marítimas do Atlântico, também pode favorecer a atração de novos serviços internacionais.
A ampliação de capacidade poderá pressionar operadores a rever preços, produtividade e qualidade dos serviços. Para o usuário do porto, uma maior oferta de terminais pode representar mais alternativas comerciais, desde que existam condições equilibradas de concorrência e acesso às linhas marítimas.
Da inauguração à operação real
O terminal havia sido entregue oficialmente em junho, quando ainda passava pelas últimas etapas de preparação operacional. A escala do Maersk Ganges representa um marco diferente: o início efetivo do atendimento a navios comerciais.
Agora, o desafio será transformar a capacidade instalada em volume recorrente, conquistar novos clientes e ampliar a conectividade marítima de Pernambuco.
A chegada do primeiro navio abre essa nova fase. Suape ganha capacidade, tecnologia e um novo concorrente na movimentação de contêineres — ingredientes que podem redesenhar parte da logística portuária do Nordeste.
Da Redação — Jornal Portuário