O Complexo Industrial Portuário de Suape iniciou uma nova etapa de sua história com a inauguração do terminal de contêineres da APM Terminals, subsidiária do grupo dinamarquês Maersk. O empreendimento recebeu investimentos superiores a R$ 2 bilhões e é apontado como o primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina.
Construído em uma área de aproximadamente 50 hectares adquirida do antigo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), o terminal foi desenvolvido em menos de três anos após a aquisição do terreno. A nova estrutura tem capacidade inicial para movimentar até 400 mil TEUs por ano, aumentando em cerca de 55% a capacidade operacional de contêineres do porto pernambucano.
O projeto foi concebido para atender às operações globais da Maersk e incorpora equipamentos elétricos de última geração, além de sistemas voltados à sustentabilidade, incluindo gestão ambiental, tratamento de águas residuais e controle de resíduos.
A inauguração contou com a presença da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. O empreendimento é considerado um dos maiores investimentos recentes na infraestrutura logística do Nordeste brasileiro.
Novo cenário competitivo
Apesar do impacto positivo para a capacidade operacional de Suape, a entrada em operação do novo terminal cria um cenário competitivo inédito dentro do complexo portuário. Atualmente, o terminal de contêineres operado pela empresa filipina ICTSI atua sob contrato de concessão firmado em 2001, com vigência até 2030.
O ponto central da discussão está nas diferenças entre os modelos de operação. Enquanto o terminal da ICTSI funciona em área concedida dentro do porto público, o novo empreendimento da APM Terminals opera sob o modelo de Terminal de Uso Privado (TUP), com regras tarifárias distintas. Segundo informações divulgadas pelo JC Negócios, a concessionária atual busca desde 2023 renegociar seu contrato junto ao governo de Pernambuco para adequar as condições de competitividade diante da chegada do novo concorrente.
Especialistas do setor avaliam que a presença de dois terminais de contêineres poderá fortalecer a competitividade de Suape frente a outros portos nordestinos, especialmente se os ganhos operacionais e de custos forem repassados aos usuários do sistema portuário.
Perspectivas de crescimento
A expansão da infraestrutura ocorre em um momento estratégico para Pernambuco. A expectativa é que novos investimentos públicos e privados sejam anunciados nos próximos anos, acompanhando o crescimento da movimentação de cargas e os projetos de ampliação industrial na região.
Com a entrada do novo terminal, Suape reforça sua posição como um dos principais hubs logísticos do país, ampliando sua capacidade de atender o comércio exterior e a cabotagem brasileira, além de fortalecer sua participação na movimentação de contêineres no Nordeste.

