O equilíbrio de forças no transporte marítimo global está prestes a mudar. A francesa CMA CGM avança com uma estratégia agressiva de expansão de frota e deve superar a dinamarquesa A.P. Moller - Maersk em capacidade operacional de contêineres até 2027, assumindo a segunda posição entre as maiores companhias de navegação do mundo.

A liderança absoluta permanece com a Mediterranean Shipping Company (MSC), que atualmente ocupa o primeiro lugar global em capacidade. Entretanto, a disputa pelo segundo posto ganhou força após a CMA CGM acelerar encomendas de novos navios e ampliar sua participação no mercado internacional.

Segundo análises de mercado, a companhia francesa possui uma carteira de novos navios que deve reduzir rapidamente a diferença para a Maersk. Dados recentes apontam que a CMA CGM opera cerca de 4,4 milhões de TEUs de capacidade, enquanto a empresa dinamarquesa está próxima de 4,7 milhões de TEUs, uma distância que pode ser eliminada com as novas entregas previstas.

A corrida entre as gigantes revela duas visões distintas para o futuro da navegação.

Enquanto a Maersk direcionou parte de sua estratégia para se consolidar como uma integradora logística global, reduzindo o foco em crescimento acelerado da frota marítima, a CMA CGM manteve uma política de expansão da capacidade oceânica, combinando transporte marítimo, terminais portuários e operações logísticas terrestres.

A companhia francesa também vem investindo em embarcações de maior porte e tecnologias de menor emissão de carbono, incluindo navios movidos a GNL (gás natural liquefeito). Um dos exemplos é a entrada em operação de novos porta-contêineres de grande capacidade, reforçando sua estratégia de renovação da frota.

A ascensão da CMA CGM é resultado de uma expansão contínua iniciada há mais de uma década. A companhia aumentou significativamente sua frota por meio da construção de novos navios e aquisições estratégicas, incluindo empresas e operações regionais que ampliaram sua presença global.

Em 2009, a empresa ultrapassava a marca de 1 milhão de TEUs; anos depois, alcançou mais de 4 milhões de TEUs de capacidade operacional, consolidando-se como uma das principais forças do transporte marítimo internacional. 

A possível mudança no ranking mundial das armadoras terá reflexos diretos nos portos, terminais e cadeias logísticas globais.

Maior capacidade significa maior disputa por participação de mercado, novos serviços marítimos, pressão sobre tarifas de frete e necessidade de infraestrutura portuária preparada para receber navios cada vez maiores.

Para terminais brasileiros, incluindo os principais hubs de contêineres, o movimento pode representar oportunidades de novas escalas e aumento da competição entre armadores que buscam ampliar sua presença nas rotas internacionais.

Caso a previsão se confirme, 2027 marcará uma das maiores mudanças no ranking das companhias marítimas das últimas décadas: a perda da segunda posição pela Maersk e a consolidação da CMA CGM como a nova potência francesa dos oceanos.

A disputa mostra que, no transporte marítimo mundial, tamanho ainda importa — e a batalha por milhões de TEUs está longe de terminar.