A qualificação profissional tem se consolidado como uma das frentes para ampliar a presença feminina nas operações portuárias. Em Santos, iniciativas voltadas à formação técnica procuram preparar mulheres para atividades que exigem conhecimento operacional, treinamento específico e familiaridade com os equipamentos utilizados na movimentação de cargas.
Entre as empresas que desenvolvem ações nessa área está a DP World, que mantém programas direcionados à capacitação e ao desenvolvimento de carreiras femininas no setor portuário e logístico.
No terminal da companhia, instalado na margem esquerda do Porto de Santos, a presença feminina cresceu desde o início das operações, em 2013. Segundo dados divulgados pela empresa em março de 2026, a unidade contava com 312 mulheres, das quais 36 ocupavam cargos de liderança. Aproximadamente 53% das profissionais atuavam em funções operacionais, incluindo a operação de equipamentos portuários.
Formação técnica e acesso às operações
A preparação de profissionais para o ambiente portuário envolve competências específicas, que vão do conhecimento dos procedimentos de segurança à operação de máquinas e equipamentos utilizados na movimentação de contêineres.
Entre as iniciativas da DP World estão programas de capacitação para funções operacionais e cursos voltados à inspeção de contêineres. As ações incluem formação técnica, atividades práticas e desenvolvimento de habilidades profissionais.
Em março de 2026, a empresa anunciou, em parceria com a Prefeitura de Santos, uma turma do programa Emprega Mulheres, com 20 participantes previstas para um curso de vistoria de contêineres. A companhia também apresentou uma iniciativa de capacitação para operação de carretas de movimentação interna de contêineres, conhecidas como ITV.
A formação para essas atividades pode contribuir para aproximar as participantes da rotina operacional dos terminais, embora a conclusão de um curso não represente garantia de contratação.
Participação feminina em funções operacionais
A presença de mulheres em atividades diretamente ligadas à operação de equipamentos representa uma mudança importante na composição da força de trabalho portuária.
No terminal santista da DP World, a trajetória de profissionais que avançaram para funções técnicas inclui a operação de RTGs, portêineres e outros equipamentos empregados na movimentação de cargas.
A ampliação dessa participação depende não apenas da oferta de cursos, mas também de oportunidades efetivas de ingresso, desenvolvimento profissional e progressão na carreira.
O desafio envolve criar condições para que a qualificação se converta em acesso ao mercado de trabalho e permanência em funções operacionais e de liderança.
Um desafio para o setor portuário
A ampliação da participação feminina também integra uma discussão mais abrangente sobre diversidade e acesso ao emprego na atividade aquaviária e portuária.
Em março de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que as mulheres representavam 17,8% dos postos de trabalho no setor portuário brasileiro, com base na Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário 2024, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ).
O indicador evidencia o espaço existente para ampliar a participação feminina no segmento. Nesse contexto, iniciativas de capacitação podem contribuir para a formação de mão de obra, desde que acompanhadas de oportunidades concretas de contratação e crescimento profissional.
Para os terminais e demais empresas da cadeia logística, a discussão também passa pela formação de equipes qualificadas para atender às exigências técnicas e operacionais do setor.
O avanço da presença feminina nas operações portuárias dependerá da continuidade dessas iniciativas e da capacidade de transformar a qualificação em oportunidades profissionais duradouras.


