Quando eu terminei o Primeiro Grau, atual Ensino Fundamental, meu pai sugeriu que eu prestasse concurso para entrar no então Colégio Técnico Industrial de Santos.

Meu irmão mais velho já havia se formado Técnico em Contabilidade, no Colégio Coelho Neto, e trabalhava nessa área desde os 15 anos.

Optei por Edificações e fui aprovado.

Por conta das disciplinas técnicas, a carga horária das matérias convencionais era um pouco menor, mas isso não impedia o acesso ao Ensino Superior.

Comecei a trabalhar como desenhista ainda no primeiro ano do curso.

Aos 17 anos, se eu economizasse cerca de quatro meses, poderia comprar um Fusca novo! Mas eu já estava economizando para cursar Engenharia Civil.

Por que essa história?

Porque foi a partir do curso técnico que me coloquei no mercado, ainda adolescente, e, graças a ele, custeei a maior parte da faculdade, com o que economizara e trabalhando sempre que possível.

Quando estudei na França, vi que profissionais formados em cursos técnicos eram extremamente valorizados, inclusive em relação a formados em alguns cursos universitários.

Voltando no tempo, no Brasil, mais precisamente no século XIX, trabalhos mais elaborados eram importados e a maioria dos artesãos era estrangeira, sobretudo portugueses, espanhóis e italianos.

O Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, fundado em 1873, foi criado com o objetivo de formar técnicos para reduzir essa dependência externa.

O Sistema S, criado na primeira metade do século XX, também tem esse condão, embora não se enquadre no modelo educacional das Escolas Técnicas do Ensino Médio. No entanto, os egressos do SENAI, SENAC e SENAT são procurados por empresas nacionais e multinacionais.

Escolas técnicas, de Ensino Médio ou não, são, portanto, um meio objetivo de entrada no mercado, desde que o rigor na formação garanta a excelência dos formados.

Nelas, não há espaço para outra coisa que não seja a aprendizagem técnica e o prazer de ver os resultados práticos das aulas teóricas. Elas demonstram a capacidade dos jovens de produzir algo útil para a comunidade, o valor do trabalho e do mérito reconhecido.

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Várias empresas reclamam da falta de técnicos em áreas bem remuneradas, até melhor do que profissionais com formação universitária. Não raro, elas oferecem possibilidades de aperfeiçoamento em cursos e treinamentos nacionais e internacionais, e estudos universitários.

Uma carreira bem conduzida pode transformar técnicos em empresários ou pesquisadores!

Assim, buscar uma formação técnica em escolas de alto nível pode assegurar o início de uma promissora vida profissional.

Porém, tudo isso dependerá do esforço e mérito de cada um, pois o mercado só é promissor para quem demonstra competência, interesse em evoluir e dinamismo para tanto.

Talvez isso explique o motivo pelo qual quem opta por formações universitárias, algumas ao nível de pós-doutorado, cujo mercado é extremamente limitado, seja tão avesso ao empreendedorismo, exigindo facilidades ou novas funções para ocupá-lo, ou buscando outras “áreas” para atuar.