Para ser acompanhada de forma adequada, uma gestação precisa atender algumas questões como quais os principais exames devem ser feitos, quando e quantas vezes consultar o médico, ou o que fazer se a pressão arterial subir, por exemplo. Em Guarujá, um único protocolo único disponibiliza essas respostas para toda a rede pública.

Desde o começo do ano, a prefeitura instituiu o Protocolo Municipal de Pré-Natal, elaborado com base nas diretrizes da Rede Alyne, a estratégia do Ministério da Saúde para o setor. O documento municipal segue exatamente as diretrizes nacionais para a redução de mortes maternas e infantis.

O protocolo cobre todo o percurso, do início do pré-natal ao pós-parto. Ele define os exames, a frequência das consultas, a classificação de risco de cada gestação, os encaminhamentos e o acompanhamento multiprofissional quando necessário. Atualmente, cerca de 1.200 gestantes já são acompanhadas na rede municipal com as novas regras.

Um dos focos é o controle das doenças mais comuns na gestação, como hipertensão e diabetes, e a identificação precoce da pré-eclâmpsia, uma das principais causas de morte materna no Brasil. A pré-eclâmpsia pode evoluir rápido e sem sintomas evidentes no começo. Detectá-la a tempo, com aferição de pressão e exames de rotina, é o que permite proteger a mãe e o bebê.

A elaboração de protocolos locais é uma exigência da Rede Alyne. Lançada em 2024 em substituição à Rede Cegonha, a estratégia pede que cada município formalize as suas regras, respeitando os parâmetros nacionais e as características locais. A meta é reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027, e em 50% entre as mulheres pretas. Para isso, o Ministério da Saúde elevou de R$ 55 para R$ 144 o valor por gestante destinado aos exames de pré-natal e incluiu novos testes rápidos na rotina.

O cuidado com a mulher em Guarujá também foi reforçado no Outubro Rosa. No Dia M, em 10 de outubro de 2026, todas as unidades básicas da cidade abriram e registraram 2.275 atendimentos. Foram 405 exames preventivos, 214 pedidos de mamografia, 242 testes rápidos de HIV, sífilis e hepatite C e 138 inserções do implante contraceptivo de longa duração. O implante, que protege por até três anos, foi incorporado ao SUS em 2025 e amplia as opções de planejamento reprodutivo das mulheres.

Uma experiência que mostrou a importância de o Ministério da Saúde definir um padrão e o município, como o caso do Guarujá, colocá-lo em prática. Mais saúde e menos riscos para todas as gestantes.