A Polícia Nacional da Espanha realizou a maior apreensão de cocaína em alto-mar de sua história ao interceptar um navio cargueiro que navegava pelo Oceano Atlântico com quase 10 toneladas da droga escondidas em meio a uma carga de sal.

A operação resultou na prisão de 13 tripulantes da embarcação e reforça o alerta das autoridades sobre o uso crescente das rotas marítimas para o tráfico internacional de entorpecentes.

Segundo informações oficiais, foram apreendidos 9.994 quilos de cocaína, distribuídos em 294 fardos, cuidadosamente ocultados para dificultar a fiscalização.

O navio, que ostentava bandeira dos Camarões e havia partido do Brasil, ficou sem combustível durante a ação policial e precisou ser rebocado até as Ilhas Canárias, território espanhol no Atlântico.

As investigações apontam que a carga pertence a uma organização criminosa multinacional especializada no envio de drogas da América do Sul para a Europa, utilizando embarcações de grande porte e cargas lícitas como fachada.

Durante a operação, uma arma de fogo também foi apreendida a bordo, embora a nacionalidade dos presos não tenha sido divulgada pelas autoridades espanholas.

A ação contou com cooperação internacional, envolvendo a Polícia Federal do Brasil, a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) e a Agência Nacional de Combate ao Crime do Reino Unido (NCA).

A articulação entre os países evidencia o papel estratégico do combate integrado ao narcotráfico marítimo, especialmente em rotas que conectam portos sul-americanos aos principais centros consumidores europeus.

A Espanha é considerada uma das principais portas de entrada da cocaína no continente europeu. Em outubro de 2024, o país já havia registrado outra grande ofensiva contra o tráfico, quando 13 toneladas da droga foram encontradas escondidas em um contêiner de bananas proveniente do Equador.

Para especialistas em segurança portuária e logística marítima, o caso reforça a necessidade de ampliar investimentos em inteligência, fiscalização e cooperação internacional, diante da sofisticação das organizações criminosas que utilizam o comércio marítimo global como meio para o tráfico de drogas em larga escala.