Navio que teria partido de Vila do Conde é interceptado com quase 10 toneladas de cocaína no Atlântico
Uma operação internacional realizada no Oceano Atlântico resultou na maior apreensão de cocaína em alto-mar da história da Polícia Nacional da Espanha. Um navio mercante, que teria partido do Porto de Vila do Conde, em Barcarena (Pará), foi interceptado no último domingo (11) transportando quase 10 toneladas de cocaína, escondidas em meio a uma carga de sal.
A ação foi conduzida por agentes do Grupo de Operações Especiais (GEO), que abordaram a embarcação e prenderam os 13 tripulantes a bordo. Ao todo, foram apreendidos 9.994 quilos de cocaína, distribuídos em 294 fardos, além de uma arma de fogo que seria utilizada para proteger o carregamento ilícito.
Droga estava oculta em carga de sal
Segundo informações divulgadas por autoridades e repercutidas pela imprensa internacional, a cocaína estava camuflada em meio à carga principal, o que evidencia o nível de planejamento e a sofisticação logística adotada pelas organizações criminosas envolvidas no tráfico transnacional.
A estratégia reforça o uso do modal marítimo como uma das principais rotas globais para movimentação de grandes volumes de drogas, aproveitando o fluxo intenso de mercadorias e a complexidade das cadeias logísticas internacionais.
Embarcação é apontada como “navio zumbi”
De acordo com o site paraguaio La Política Online, a embarcação interceptada foi identificada como M/V United S e se enquadra no perfil de um chamado “navio zumbi”, termo utilizado para classificar embarcações antigas, obsoletas e frequentemente utilizadas por cartéis sul-americanos para o transporte de drogas em alto-mar.
A publicação aponta que o navio teria deixado Vila do Conde em 20 de dezembro de 2025. O porto paraense é citado como área considerada sensível, com influência de redes do narcotráfico internacional.
Apoio internacional e participação do Brasil
A operação foi resultado de uma ampla cooperação internacional e contou com apoio da DEA (Estados Unidos), da NCA (Reino Unido), da Polícia Federal do Brasil, do Centro Nacional de Contraterrorismo (CITCO) e do Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics (MAOC), além da colaboração de autoridades da França e de Portugal.
A investigação foi coordenada pela Procuradoria Especial Antidrogas do Tribunal Nacional da Espanha e pelo Tribunal Central de Instrução nº 4, reforçando o caráter estratégico do caso no combate ao crime organizado internacional.
Segurança portuária e rastreabilidade em alerta
A apreensão histórica reacende o debate sobre a segurança portuária e o monitoramento de cargas no comércio exterior. Especialistas apontam que operações desse porte aumentam a pressão sobre autoridades alfandegárias e operadores logísticos, exigindo mais investimentos em rastreabilidade, análise de risco, inteligência marítima e fiscalização integrada.
O caso também evidencia como o crime organizado tem buscado alternativas fora das rotas tradicionais, utilizando navios de perfil antigo e operações em águas internacionais para reduzir o risco de interceptação em portos.
A expectativa é que a investigação avance para identificar financiadores, intermediários e conexões logísticas em diferentes países, já que o volume apreendido indica uma operação de grande escala, articulada por redes transnacionais.

