O Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, avança para ampliar sua participação na cadeia logística da celulose com a implantação de um novo Terminal de Uso Privado (TUP) destinado principalmente à movimentação e exportação do produto.
O contrato que garante a área para o empreendimento foi assinado nesta sexta-feira (11), em uma nova etapa para a implantação do terminal da Terminal Rio Grande do Sul S.A., empresa vinculada ao projeto da CMPC. A área possui aproximadamente 412,5 mil metros quadrados e fica no complexo portuário de Rio Grande.
O investimento previsto para a implantação do terminal é de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, consolidando o empreendimento como uma das principais expansões privadas previstas para a infraestrutura logística gaúcha.
Terminal terá operação voltada à exportação
O novo terminal foi planejado para movimentar e armazenar carga geral, com foco especialmente na celulose.
A autorização para a implantação foi analisada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). Em dezembro de 2025, a agência reconheceu a possibilidade de celebração do contrato de adesão entre o poder concedente e a Terminal Rio Grande do Sul S.A. para construção e exploração do TUP.
A estrutura faz parte de uma estratégia logística associada ao Projeto Natureza, da CMPC, que prevê a implantação de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro e a construção de uma estrutura logística dedicada ao escoamento da produção.
Capacidade pode chegar a 9 milhões de toneladas
O projeto prevê uma estrutura de grande escala.
De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, o TUP poderá alcançar capacidade de movimentação de até 9 milhões de toneladas por ano a partir do 11º ano de operação.
A infraestrutura também deverá contar com capacidade de armazenamento de aproximadamente 194 mil toneladas e condições para realizar operações simultâneas com dois navios.
Essa configuração poderá ampliar significativamente a capacidade do complexo portuário gaúcho para atender ao crescimento previsto da produção de celulose no Estado.
Projeto Natureza amplia demanda logística
O terminal não deve ser analisado de forma isolada.
Ele integra o Projeto Natureza, empreendimento de grande porte da CMPC que reúne a expansão industrial e a infraestrutura necessária para levar a produção até os mercados internacionais.
O projeto prevê investimentos de aproximadamente R$ 27 bilhões, com impactos estimados em mais de 75 municípios do Rio Grande do Sul.
A expectativa do governo federal é de que a nova produção gere um fluxo superior a 4,3 milhões de toneladas de celulose por ano, aumentando a demanda por infraestrutura de transporte e exportação.
Para atender a esse novo volume, estão previstos dois terminais privados relacionados ao projeto, um em Rio Grande e outro em Barra do Ribeiro.
Porto ganha uma nova frente de expansão
A implantação do terminal representa uma mudança importante para o Porto de Rio Grande.
Além de ampliar a infraestrutura disponível para a movimentação de celulose, o empreendimento fortalece a integração entre produção industrial, transporte e exportação.
A localização estratégica do complexo permite conectar a produção gaúcha ao transporte marítimo internacional, criando uma estrutura logística dedicada a um dos principais produtos da indústria florestal brasileira.
A expectativa é que a operação também gere reflexos sobre serviços de transporte, armazenagem, manutenção, apoio portuário e demais atividades relacionadas à cadeia logística.
Licenciamento avançou em 2026
O projeto também avançou no processo ambiental.
Em junho deste ano, foi entregue à CMPC a Licença Prévia para o empreendimento do terminal, permitindo o avanço para a próxima etapa do licenciamento, a Licença de Instalação.
O terminal será instalado na região da Ponta Sul do Porto Novo e terá como principal atividade a movimentação e armazenagem de carga geral, especialmente celulose.
Durante a audiência pública realizada em junho para apresentação dos estudos ambientais, o empreendimento foi apresentado como uma das principais iniciativas de expansão da atividade portuária de Rio Grande.
Impacto sobre o corredor de exportação
A nova estrutura também poderá alterar a dinâmica logística da celulose produzida no Rio Grande do Sul.
Com um terminal dedicado, a cadeia poderá contar com maior capacidade de planejamento das operações de armazenagem, transferência da carga e embarque marítimo.
O desafio será garantir que os diferentes modais envolvidos acompanhem o crescimento da produção.
Estradas, ferrovias, hidrovias, terminais de apoio e infraestrutura portuária precisarão funcionar de maneira coordenada para evitar que o aumento da capacidade industrial seja limitado por gargalos logísticos.
É justamente nesse ponto que o novo TUP ganha importância estratégica.
Mais do que um novo terminal, o empreendimento representa uma peça de infraestrutura criada para acompanhar a expansão da produção de celulose e aumentar a capacidade brasileira de inserção no mercado internacional.
Rio Grande no mapa da celulose
Com a implantação do novo terminal, o Porto de Rio Grande amplia seu potencial para se consolidar como um dos principais corredores de exportação da celulose produzida no Sul do Brasil.
A combinação entre uma nova capacidade industrial, terminal especializado e infraestrutura marítima cria um corredor logístico de grande escala.
Para o setor portuário, o projeto representa mais uma demonstração de que a expansão da produção brasileira de celulose está exigindo novos investimentos não apenas dentro das fábricas, mas também nos pontos de conexão entre a indústria e o comércio exterior.
E, nesse cenário, Rio Grande passa a ocupar uma posição cada vez mais estratégica na logística de exportação da celulose brasileira.