Apesar do crescimento do setor portuário catarinense, o avanço da logística regional enfrenta um obstáculo histórico: a falta de infraestrutura ferroviária eficiente. Durante o programa Integração 5.0, o secretário de Portos e Desenvolvimento de Santa Catarina, Ivan Amaral, destacou que a deficiência na malha ferroviária é um dos principais entraves para o crescimento econômico do estado.
Segundo o secretário, grande parte da malha ferroviária do Sul foi abandonada ao longo dos anos. Em Santa Catarina, apenas cerca de 200 quilômetros de trilhos operam atualmente de forma efetiva, principalmente no trecho que liga Mafra ao Porto de São Francisco do Sul.
Clique aqui para seguir agora o canal Jornal Portuário no WhatsApp!
Mesmo esse trecho, porém, apresenta limitações operacionais. A velocidade média de circulação dos trens chega a apenas 12 quilômetros por hora, o que compromete a eficiência logística e reduz a competitividade do transporte ferroviário.
O problema se agrava com o aumento da produção agrícola e industrial da região oeste catarinense, considerada uma das principais potências brasileiras na produção de proteína animal. O transporte de grãos e insumos utilizados na suinocultura e avicultura depende quase exclusivamente do modal rodoviário, o que eleva custos e aumenta o desgaste das estradas.
Atualmente, parte do milho utilizado pela agroindústria catarinense percorre até mil quilômetros por caminhão para chegar ao estado, tornando o transporte caro e menos competitivo.
Diante desse cenário, o governo catarinense trabalha em projetos ferroviários estruturantes, incluindo uma nova ligação entre Chapecó e Correia Pinto, com conexão ao chamado Tronco Sul ferroviário. O objetivo é integrar o oeste do estado aos principais portos catarinenses, criando uma alternativa logística mais eficiente para o escoamento da produção.
Outro projeto estratégico prevê a conexão ferroviária entre a região de Navegantes e o Porto de São Francisco do Sul, ampliando a integração logística entre os terminais portuários do estado.
Esses projetos são considerados essenciais para garantir a competitividade do sistema logístico catarinense nas próximas décadas. A expectativa é que a ferrovia reduza custos de transporte, diminua a pressão sobre as rodovias e aumente a eficiência do escoamento de cargas.
Especialistas apontam que investimentos ferroviários têm alto custo inicial, mas oferecem retorno de longo prazo, especialmente em regiões com grande volume de carga, como é o caso do Sul do Brasil.
Para o governo estadual, a retomada das ferrovias não é apenas uma alternativa logística, mas uma necessidade estratégica para sustentar o crescimento econômico do estado.

