A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, e a Brado Logística, referência em transporte multimodal, realizaram a cerimônia de inauguração da terceira linha férrea que acessa o Terminal. A nova estrutura amplia a capacidade operacional da Brado e da TCP no pátio e deve elevar em cerca de 20% a circulação de cargas pelo modal ferroviário até 2027.
O evento ocorreu na última terça-feira, 1º de setembro e marcou a conclusão de uma etapa de investimentos voltada ao fortalecimento da conexão ferroviária no Terminal, reunindo representantes de diferentes elos envolvidos no comércio exterior, entre lideranças da TCP, da Brado, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), da Rumo e de clientes.
Para o CEO da Brado Logística, Luciano Johnsson, o investimento ganha relevância diante do papel do Paraná na produção e exportação de produtos do agronegócio e da indústria que abastecem mercados nacionais e internacionais.
“O Paraná tem uma participação cada vez mais relevante no comércio exterior. Quando ampliamos a capacidade ferroviária em Paranaguá, estamos fortalecendo uma conexão estratégica entre as regiões produtoras, a indústria e o porto. É uma infraestrutura que acompanha a dimensão da produção paranaense e contribui para dar mais eficiência ao caminho entre o campo e o porto”, afirma.
A nova estrutura adiciona 757 metros de ferrovia e amplia a área de manobras no Terminal, permitindo uma mudança na dinâmica de atendimento dos trens. Antes, o pátio operava com duas linhas, enquanto um trem chegava, outro deixava a área, e a operação de carga e descarga era realizada em lotes de 41 contêineres, uma vez que os 82 vagões que chegavam precisavam ser divididos em dois grupos para atravessar a passagem de nível.
Com isso, eram necessárias duas interrupções para a passagem completa do trem, tanto para a composição ferroviária quanto para os veículos que circulavam pela via. Com a terceira linha, dois trens poderão permanecer em operação simultaneamente enquanto um terceiro realiza a saída, aumentando a fluidez das operações e a capacidade de movimentação no pátio.
A ampliação da capacidade ferroviária ganha relevância diante da participação da Brado no escoamento de cargas pelo Terminal. Em 2025, dos 326,3 mil contêineres cheios exportados pela TCP, cerca de 52 mil foram transportados pela Brado, o equivalente a 16% dos embarques.
Segundo o gerente comercial da TCP, Fabio Mattos, o aumento no número de linhas férreas que acessam o Terminal terá um papel fundamental no desenvolvimento econômico da região.
“A TCP antecipou investimento em novos caminhões e guindastes para absorver o aumento das movimentações com a conclusão da ampliação da ferrovia. O modal já integra a cadeia logística de importantes indústrias do estado e com esta nova estrutura o Terminal espera impulsionar um novo ciclo de crescimento e de desenvolvimento regional, oferecendo maior capacidade e eficiência para exportadores”.
O impacto da nova estrutura também está relacionado ao perfil da economia paranaense. O estado lidera nacionalmente a produção de frango, com quase 35% do mercado brasileiro, e ocupa a vice-liderança na produção de suínos. A força da proteína animal cria uma demanda constante por soluções capazes de conectar os polos industriais e produtores aos terminais portuários com escala e regularidade.
Na Brado, o frango representa 24% dos transportes realizados pela companhia, o que reforça a importância da infraestrutura ferroviária para cadeias que dependem de eficiência logística e acesso aos mercados internacionais. O corredor ferroviário atendido pela operação alcança regiões como Cascavel e Cambé, importantes polos da produção e exportação de proteína animal, além de Ortigueira, referência na produção de papel e celulose. A conexão permite integrar diferentes regiões produtoras ao Porto de Paranaguá e ampliar as alternativas para o transporte de cargas destinadas à exportação.
Para o CEO da Brado, a nova linha também representa uma evolução na forma como a Brado utiliza a infraestrutura ferroviária disponível para atender à demanda dos clientes.
“Temos uma visão de longo prazo para o nosso negócio e isso significa estar atentos não apenas ao volume que movimentamos hoje, mas às transformações que estão acontecendo no comércio exterior e nos clientes que atendemos. A Brado quer continuar sendo uma companhia que se antecipa a essas mudanças e transforma conhecimento de mercado em decisões concretas de investimento. É essa perspectiva que orienta nossa atuação e sustenta os próximos passos da empresa”, salienta Johnsson