SOBRE JURAMENTOS
Algumas graduações, quando da colação de grau, incluem juramentos relativos ao futuro exercício da profissão.
Há quem respeite esse juramento enquanto vive, mesmo quando o ambiente em que se atua o constrange a deixá-lo de lado.
No entanto, em nome de crenças pessoais, ideologias, aceitação no meio em que atua ou da própria sobrevivência, profissional ou física, há quem tenha ideias fixas ou mude de opinião de acordo com a conveniência do momento.
Para alguns, o juramento é como uma “espada de Dâmocles”, freio de consciência que obriga a segui-lo, independentemente de qualquer outro condicionante.
É o que obriga um médico a socorrer ou um operador do direito a defender um criminoso, por mais cruel que ele tenha sido ou seja, e por mais hediondo que seja o crime cometido.
No entanto, parece que esse juramento não existe em política, qualquer que seja a graduação de quem decide atuar nesse âmbito.
Considerando alguns atos praticados por políticos ou indicados por políticos, até juramentos sobre a Bíblia parecem não ter algum valor.
Há quem diga ter sido influenciado pelo "demo", quando seus crimes são descobertos. Também há os que, flagrados, buscam apoio de seus "pares" ou de quem estiver oportunamente disponível para defendê-los ou perseguir quem os denunciou.
O problema é que a única maneira de exorcizar esse “demo”, que seria o voto, às vezes está sob controle dos seguidores do "coisa ruim".
Nesse contexto, a mídia é fundamental, para o bem e para o mal.
A graduação em jornalismo também possui um juramento?
Sim! Encontrei uma versão dele no portal da Associação Brasileira de Imprensa:
“Prometo, no exercício da profissão de jornalista, assumir meu compromisso com a verdade e com a informação, dedicando todos os meus atos e palavras, esforços e conhecimentos para a construção de uma nação consciente de sua história e de sua capacidade. Comprometo-me também, no desempenho do meu dever profissional, a não omitir, não mentir e não distorcer informações, a não manipular dados e, acima de tudo, a não subordinar, em favor de interesses pessoais, o direito do cidadão à informação”.
Que belo!
O que dizer, então, dos meios de comunicação que atuam de forma facciosa, “passando pano” para uns, divulgando suposições como fatos de forma seletiva, perseguindo quem questiona seus financiadores?
Existem casos de donos de mídias famosos por usarem seus veículos tanto para denunciar como para constranger pessoas. Manchetes e “furos” podem defenestrar criminosos e políticos corruptos, como podem destruir vidas de inocentes. Jornalistas e mídias já pagaram com a vida e sustentabilidade econômica por simplesmente revelarem a verdade, cumprindo o juramento.
No entanto, isso não ocorre em regimes totalitários, pois estes controlam todas as mídias. Todas são “chapa branca”. Será que quem nelas atua fez o mesmo juramento?
Quem eventualmente fez, em tese, assinou sua condenação sumária.
Mesmo em democracias, esse juramento nem sempre é cumprido.
Na França, por exemplo, as linhas editoriais de alguns jornais são bem definidas. Há os claramente liberais, os socialistas e os comunistas. Não é diferente em outros países, em que a “verdade” é interpretada e a história é reescrita segundo os interesses de seus proprietários e financiadores.
Há quem se apresente como jornalista isento, porém, parece mais um porta-voz ou assessor, defendendo com unhas, dentes e nenhuma credibilidade quem deveria denunciar.
Será que esses assumiram o compromisso com a verdade e com a informação, ou se tornaram meros instrumentos de projetos de poder?
Se assim for, então não são jornalistas juramentados, mas apóstatas dessa nobre e tão necessária profissão!
O que fazem não é jornalismo, mas militância ideológica, proselitista, patrocinada, oportunista.
Ainda bem que existem profissionais que honram seus juramentos, qualquer que seja a sua profissão.
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras

