Navio porta-contêineres da ONE faz primeira escala no Brasil no Porto de Itajaí

Com quase 336 metros, porta-contêineres da ONE chega ao Brasil pela Portonave

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Navio porta-contêineres da ONE faz primeira escala no Brasil no Porto de Itajaí
Divulgação

A primeira viagem do mais moderno porta-contêineres da Ocean Network Express (ONE) ao Brasil entrou para a história da navegação nacional. O gigante cruzou o canal de acesso a Itajaí e atracou no terminal da Portonave, em Navegantes, exibindo dimensões que chamaram atenção até mesmo de quem já está acostumado com grandes embarcações.

Com 335,94 metros de comprimento, 51 metros de boca e capacidade aproximada para 13.700 contêineres de 20 pés, o navio construído em 2025 se impôs como uma verdadeira muralha de aço diante do cenário urbano ao longo do rio Itajaí-Açu. A superestrutura supera a altura de muitos edifícios da região, reforçando o impacto visual da chegada.

Mais do que números impressionantes, a estreia do gigante da ONE simboliza a entrada definitiva de embarcações de nova geração nas rotas que atendem o comércio exterior brasileiro. O navio foi projetado para operar com maior eficiência energética, reduzir emissões por contêiner transportado e ampliar a produtividade nas ligações entre a Ásia e a costa leste da América do Sul.

Manobra precisa em canal desafiador

Durante a chegada a Itajaí, a embarcação navegava com calado em torno de 11,20 metros em um canal com aproximadamente 14 metros de profundidade, o que deixa clara a precisão exigida na manobra. Quando totalmente carregado, o calado máximo pode alcançar cerca de 16 metros, revelando o volume submerso do casco durante as travessias oceânicas.

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Segundo dados operacionais, o peso bruto máximo do navio ultrapassa 160 mil toneladas, considerando casco, carga, combustível e equipamentos. É uma massa comparável à de uma pequena cidade em movimento constante sobre a água.

Rebocadores auxiliaram a atracação na Portonave, com o navio entrando já posicionado para atracar por boreste, o que reduziu a necessidade de manobras mais complexas. Ainda assim, conduzir um casco desse porte exige sincronia total entre prático, comandante, rebocadores e equipes de terra.

Capacidade concentrada e ganhos logísticos

Projetado para transportar cerca de 13.700 TEUs, o porta-contêineres equivale, em termos práticos, a milhares de caminhões carregados reunidos em uma única viagem. Cada escala concentra um volume de carga que, há poucas décadas, exigiria vários navios menores e múltiplas operações portuárias.

A embarcação opera principalmente na rota Ásia–América do Sul, conectando grandes centros industriais asiáticos a portos estratégicos brasileiros, como Santos e Itajaí. A escala inaugural na Portonave reforça a posição do terminal catarinense no circuito dos mega porta-contêineres.

Tecnologia, velocidade e transição energética

Sob bandeira de Singapura, o navio conta com motor principal de alta eficiência e pode atingir velocidades próximas de 22 nós, desempenho elevado para embarcações desse porte. O projeto do casco e os sistemas de bordo buscam reduzir consumo específico de combustível e emissões por unidade transportada.

Outro destaque é a preparação estrutural para o uso futuro de combustíveis alternativos, alinhando o navio às exigências ambientais que vêm ganhando força no transporte marítimo global. O desenho da proa e a hidrodinâmica refinada reforçam esse compromisso com eficiência e sustentabilidade.

Impacto para os portos brasileiros

A estreia do gigante da ONE em Itajaí vai além do espetáculo visual. Ela evidencia que a nova geração de navios já opera regularmente nas rotas brasileiras e reforça a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura portuária, como profundidade de canais, reforço de cais, rebocadores mais potentes e sistemas avançados de apoio à navegação.

Para o comércio exterior, a presença desses mega porta-contêineres representa maior capacidade de consolidação de cargas, redução de custos logísticos e integração mais direta com os grandes hubs globais. Um sinal claro de que escala, eficiência e sustentabilidade caminham juntas na navegação do século 21.


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