Unir a paixão por navios a uma agenda de impacto positivo. Foi assim que nasceu o projeto WSG, que vai reunir 100 mulheres executivas, empreendedoras e autônomas em um cruzeiro dedicado a discutir ESG (sigla em inglês para práticas ambientais, sociais e de governança). As idealizadoras, Patrícia Mantovani e Pâmela Florentino, falaram sobre a iniciativa ao Portocast, programa do Encontro Nacional Indústria Porto (ENIP), em conversa com o CEO André Ursini.

“Toda mulher merece um cruzeiro”

Patrícia contou que trabalhou por muitos anos no Porto de Santos e em portos de todo o Brasil e que é apaixonada por navios, tanto de carga quanto de cruzeiro. Daí surgiu a ideia, resumida em uma frase que virou lema do projeto: “Toda mulher merece um cruzeiro”.

O objetivo é discutir como gerar impacto positivo na sociedade, usando o ESG como indicador de negócios. A proposta percorre os três eixos da sigla. No ambiental, o projeto conta com a própria MSC, que segundo Patrícia reúne grandes iniciativas na área. O social é apontado como o centro da proposta. Na governança, entram as empresas que participam do projeto.

Como as participantes foram escolhidas

Pâmela explicou que, quando o projeto ainda era apenas uma ideia, as organizadoras traçaram um perfil: mulheres executivas e líderes com visão de impacto positivo e com projetos liderados ou co-liderados por mulheres. Hoje, segundo ela, a ideia está concretizada, com 100 participantes de “empresas incríveis” confirmadas a bordo.

Programação a bordo

O cruzeiro acontece de 17 a 20 de dezembro, no navio MSC Musica. O primeiro encontro será na manhã do embarque, na sala VIP do terminal de passageiros. A bordo, as tardes terão palestras no formato TED, painéis, rodas de conversa e dinâmicas, e as noites, jantares temáticos.

Entre os temas confirmados estão:

  • o papel da liderança feminina;
  • inteligência artificial e o futuro do trabalho;
  • segurança psicológica para times de alta performance;
  • saúde emocional da mulher;
  • longevidade feminina;
  • governança.

Um painel adicional ainda está em formação, e as organizadoras prometem surpresas.

Manifesto e legado

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O projeto não termina no desembarque. Segundo Pâmela, a organização vai produzir um manifesto com os aprendizados e indicadores da viagem. A medição da pegada de carbono do navio ficará a cargo de painelistas, e os resultados também entram no documento. A ideia é que o evento seja anual e que o manifesto sirva de referência para pessoas e empresas interessadas nas próximas edições.

Ursini classificou a iniciativa como inédita e destacou a importância de atrair cada vez mais mulheres para o setor portuário e logístico. Segundo ele, a presença feminina já é uma realidade, mas ainda há muito espaço para crescer.

Trajetória e propósito

Ao encerrar, Patrícia falou de sua carreira. Arquiteta e engenheira de segurança do trabalho, ela foi gerente executiva em empresas com operações de alta complexidade, como logística multimodal, operações portuárias e mineração subterrânea. Contou ter enfrentado as dificuldades que muitas mulheres encontram para se posicionar no mercado. “A competência técnica é fundamental, mas as habilidades humanas fazem toda a diferença”, afirmou.

Para ela, o cruzeiro dá visibilidade e reconhecimento às mulheres que estão começando ou já atuam no setor, para que não desistam. É também um espaço para debater temas técnicos e complexos e criar conexões entre elas. “Esse é o legado que a gente quer deixar como mulher, como executiva, como empresária.”

Saiba mais em @cruzeirowesg