Em entrevista as idealizadoras Patrícia Mantovani e Pamella Florentino detalham a programação, o Prêmio W ESG e o manifesto que será produzido após a viagem
O cais santista vai ganhar um embarque diferente neste fim de ano. Entre 17 e 20 de dezembro, o W ESG – Cruzeiro de Liderança Feminina leva executivas, empresárias e profissionais de diversos setores a bordo do MSC Musica, no trajeto entre Santos e Búzios (RJ). É o primeiro cruzeiro do país dedicado à liderança feminina, com foco em ESG, sigla para práticas ambientais, sociais e de governança.
O evento foi lançado oficialmente na terça-feira (14), na sede da Praticagem, na Ponta da Praia, e chega à reta final com quase 100 cabines já comercializadas. Em entrevista ao Portocast, programa do Encontro Nacional Indústria Porto (ENIP), as idealizadoras contaram ao CEO do evento, André Ursini, como o projeto saiu do papel.
Uma ideia nascida no porto
A ideia veio da trajetória de Patrícia Mantovani, executiva com mais de 25 anos em indústria, mineração, logística portuária e multimodal, segurança, saúde e ESG. Arquiteta e engenheira de segurança do trabalho, ela foi gerente executiva em operações de alta complexidade, inclusive no Porto de Santos e em outros portos do país. “Sou apaixonada por navios, tanto de carga quanto de cruzeiro, e toda mulher merece um cruzeiro”, disse ao Portocast.
Patrícia conta que enfrentou os obstáculos comuns a mulheres em segmentos tradicionalmente masculinos. “A competência técnica é fundamental, mas as habilidades humanas fazem toda a diferença”, afirmou. O objetivo do projeto é dar visibilidade e reconhecimento a quem está começando ou já atua no setor, para que essas mulheres não desistam.
A parceira no projeto é Pamella Florentino, fundadora da Mood Marketing. Segundo ela, o público foi definido a partir de um perfil claro: líderes com visão de impacto positivo e com projetos liderados ou co-liderados por mulheres. O grupo reúne diretoras, fundadoras, conselheiras, gerentes, coordenadoras, especialistas e técnicas, de 25 a 65 anos. A troca entre gerações é apontada pelas organizadoras como um dos principais ativos do encontro.
ESG nos três eixos
Patrícia explica que a proposta percorre os três pilares da sigla. No ambiental, o projeto conta com a própria MSC e suas iniciativas na área. O social, segundo ela, é o coração do projeto. A governança entra pela participação das empresas envolvidas. Para a idealizadora, o ESG se consolidou como indicador de valor reputacional, e a liderança feminina pode acelerar essa cultura dentro das organizações.
Programação a bordo
A experiência começa ainda em terra, com um encontro na sala VIP do terminal de passageiros na manhã do embarque. No navio, as tardes serão dedicadas a palestras no formato TED, painéis, rodas de conversa e dinâmicas. As noites terão jantares temáticos, festas e atividades de integração.
A pauta inclui:
- liderança feminina;
- inteligência artificial, inovação e futuro do trabalho;
- neurociência da liderança e diversidade cognitiva;
- segurança psicológica e cultura organizacional;
- gestão de riscos, segurança e saúde;
- saúde emocional, bem-estar e longevidade feminina;
- governança.
Mais um painel ainda está em formação.
Prêmio W ESG
Um dos destaques da programação é o Prêmio W ESG, que vai reconhecer projetos liderados ou co-liderados por mulheres com impacto nas empresas e na sociedade. Nesta edição, as iniciativas devem estar alinhadas a um de três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU:
- Saúde e Bem-Estar (ODS 3);
- Igualdade de Gênero (ODS 5);
- Indústria, Inovação e Infraestrutura (ODS 9).
Um comitê técnico vai avaliar os projetos com base em impacto, inovação, protagonismo feminino, consistência, maturidade e potencial de replicação. As vencedoras serão anunciadas durante a viagem.
Depois do desembarque
O projeto não termina no retorno a Santos. Pamella contou ao Portocast que a organização vai produzir um manifesto com os aprendizados e indicadores da viagem, incluindo a medição da pegada de carbono do navio feita por uma empresa parceira. “Será um evento anual, e queremos que as pessoas e empresas interessadas na próxima edição saibam tudo o que foi deixado como legado”, explicou.
O W ESG também está aberto a empresas que queiram reconhecer lideranças internas, apresentar projetos de impacto e associar suas marcas à agenda de inovação, sustentabilidade e diversidade, com ativações e espaços de relacionamento a bordo.
Mais mulheres no setor portuário
Para André Ursini, a iniciativa é inédita e pode ajudar a atrair mais mulheres para o setor portuário e logístico. “Hoje a mulher está presente, mas a gente sabe que tem muito mais campo para seguir em frente”, avaliou.
Patrícia concorda e resume o espírito do cruzeiro: debater temas técnicos e complexos em um ambiente que favorece conexões. “Esse é o legado que a gente quer deixar como mulher, como executiva, como empresária.”
Saiba mais em @cruzeirowesg


