Cosco questiona decisão do TCU e pede reexame do acórdão que limita participação de armadores no leilão do Tecon 10

Por Luiz C Oliveira-redação @jornalportuario
3 Min
Cosco questiona decisão do TCU e pede reexame do acórdão que limita participação de armadores no leilão do
Divulgação

A Cosco, uma das maiores armadoras do mundo, protocolou nesta terça-feira, 13 de janeiro, um pedido de reexame do Acórdão nº 2894/2025 do Tribunal de Contas da União (TCU), que sugeriu a exclusão de armadores internacionais do leilão do Tecon 10, em Santos. A decisão, considerada polêmica pelo mercado, restringe a participação de empresas que já operam contêineres no porto, afetando diretamente gigantes como MSC, Maersk, CMA CGM e DP World.

Em sua argumentação, a Cosco alega que o TCU excedeu suas funções, violando princípios licitatórios ao substituir a discricionariedade do regulador e órgãos políticos pela do controlador. A empresa também aponta a ausência de fundamentos concorrenciais para a restrição, bem como a necessidade de abertura de consulta pública antes de qualquer decisão que limite a disputa.

Controvérsias e críticas do setor

Um especialista do setor ouvido pelo NeoFeed, que preferiu não se identificar, classificou o movimento como uma “ação de cunho político em várias instâncias”, desenhada para favorecer novos entrantes. Na primeira fase do leilão, somente empresas sem operação de contêineres em Santos poderiam participar, afastando grandes armadoras globais da disputa inicial. Caso não haja interessados nesse grupo, o certame seria aberto aos atuais operadores, mas a vencedora teria que se desfazer de seus ativos existentes, tornando a competição ainda mais complexa.

A decisão do TCU reacende o debate sobre a participação de grandes armadores internacionais e seu impacto na competitividade e eficiência do porto. A Cosco, responsável por cerca de 10% do transporte global de contêineres com mais de 500 navios, representa a quarta maior armadora do mundo, atrás apenas da MSC, Maersk e CMA CGM. Se atuar sozinha, a empresa ficaria impedida de competir no leilão, situação que vem sendo criticada por analistas do setor.

Movimentos estratégicos da JBS Terminais

Enquanto isso, a JBS Terminais tem reforçado sua equipe de desenvolvimento de novos negócios, com a contratação de Márcio Guiot, ex-presidente do Porto de Suape, administrado pela ICTSI, como diretor responsável por projetos estratégicos. Apesar de rumores sobre uma possível parceria com a gigante filipina ICTSI, fontes do setor afirmam que a empresa costuma atuar de forma independente em leilões desse porte e não confirmam qualquer acordo com a JBS.

O cenário coloca o leilão do Tecon 10 sob forte atenção, com tensão entre interesses de operadores nacionais, armadores internacionais e a supervisão do TCU. A disputa promete ser um teste de governança regulatória, estratégia empresarial e capacidade de negociação em um dos principais portos do país, com impactos diretos na competitividade logística e na atração de investimentos para o setor portuário brasileiro.


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