O avanço da economia brasileira vem ampliando a demanda por movimentação de contêineres nos portos do país, mas a infraestrutura disponível não tem conseguido acompanhar esse ritmo. De acordo com análise da Solve Shipping, o descompasso entre oferta e capacidade operacional já resultou em um déficit equivalente à necessidade de implantação de um novo terminal de contêineres, um Tecon completo.

Segundo a consultoria, o problema não está apenas no crescimento da demanda, mas principalmente na dificuldade de expandir a capacidade existente. Processos burocráticos longos, entraves regulatórios e insegurança jurídica têm atrasado investimentos e ampliado o risco de estrangulamento logístico em corredores estratégicos do comércio exterior brasileiro.

A avaliação aponta que, mesmo com terminais operando próximos ao limite, projetos de expansão enfrentam anos de tramitação até obter licenças ambientais, autorizações regulatórias e definições contratuais. Esse cenário impede respostas rápidas do setor à evolução do mercado, elevando custos logísticos e reduzindo a competitividade do Brasil no comércio internacional.

Para a Solve Shipping, a consequência direta desse atraso estrutural é o aumento da pressão sobre os terminais existentes, com reflexos em filas, menor previsibilidade operacional e risco de perda de cargas para portos estrangeiros mais eficientes. A consultoria destaca que, sem reformas nos processos decisórios e maior coordenação entre órgãos públicos, o país continuará acumulando déficits de capacidade.

O diagnóstico reforça a necessidade de planejamento de longo prazo e de um ambiente regulatório mais ágil, capaz de viabilizar investimentos privados e garantir que a infraestrutura portuária acompanhe o crescimento econômico brasileiro de forma sustentável.