O Estaleiro Juruá, localizado em Iranduba, na região metropolitana de Manaus (AM), realizou nesta semana o lançamento ao rio de uma nova barcaça destinada ao transporte de minério para a Lhg Mining, empresa pertencente ao grupo J&F. A embarcação integra um dos maiores projetos de navegação interior atualmente em desenvolvimento no país.
A cerimônia contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que acompanhou o lançamento durante agenda oficial cumprida no Amazonas.
O projeto, avaliado em R$ 3,2 bilhões, prevê a construção de 400 barcaças e oito empurradores destinados ao transporte de minério de ferro e manganês pela Hidrovia Paraguai-Paraná. A iniciativa conta com financiamento do Fundo da Marinha Mercante (FMM), um dos principais instrumentos de apoio à indústria naval brasileira.
Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela gestão dos recursos do FMM, foram liberados R$ 230 milhões para o Estaleiro Juruá. A empresa já entregou 27 das 128 barcaças sob sua responsabilidade e mantém outras 51 unidades em construção.
O banco informou ainda que, considerando todos os estaleiros envolvidos no projeto, 72 embarcações já foram entregues e estão em operação. Além disso, outras 98 barcaças e seis empurradores seguem em fase de construção em estaleiros das regiões Norte e Nordeste, com previsão de conclusão ao longo dos próximos quatro anos.
A estrutura logística será utilizada para o escoamento da produção mineral extraída em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. As cargas percorrerão aproximadamente 2.500 quilômetros pelos rios Paraguai e Paraná até o terminal marítimo de Nova Palmira, no Uruguai, onde serão transferidas para navios de longo curso destinados ao mercado internacional.
O empreendimento é considerado estratégico para ampliar a competitividade das exportações brasileiras de minério, reduzindo custos logísticos e fortalecendo o uso das hidrovias como alternativa sustentável para o transporte de grandes volumes de carga.
Além dos benefícios econômicos, o projeto representa um importante impulso para a indústria naval nacional, gerando empregos, movimentando estaleiros brasileiros e fortalecendo a cadeia produtiva ligada à construção de embarcações para navegação interior.