O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) saiu em defesa da indústria naval brasileira ao afirmar que os desafios enfrentados pelo setor não estão relacionados à capacidade técnica dos estaleiros nacionais, mas sim à falta de políticas públicas consistentes e de longo prazo para garantir competitividade frente aos principais concorrentes internacionais.
A manifestação ocorreu em resposta a um artigo publicado na imprensa nacional que questionava a competitividade da construção naval brasileira. Em nota, o sindicato argumentou que comparações com países como China, Coreia do Sul e Japão frequentemente ignoram décadas de investimentos governamentais, incentivos financeiros e políticas industriais implementadas por essas nações.
Segundo o Sinaval, os líderes mundiais da construção naval trataram o setor como uma questão estratégica de Estado. Além da relevância econômica, a indústria naval é vista nesses países como elemento fundamental para a soberania nacional, a segurança energética, a defesa, o comércio exterior e a geração de empregos qualificados.
A entidade destacou que a construção naval mundial não é determinada exclusivamente pelo menor preço de mercado. Trata-se de uma atividade intensiva em capital, tecnologia, engenharia, aço, equipamentos especializados e financiamento de longo prazo, fatores que exigem planejamento contínuo e estabilidade regulatória.
O sindicato também lembrou que Japão, Coreia do Sul e China levaram décadas para consolidar suas respectivas indústrias navais. De acordo com o Sinaval, a experiência internacional demonstra que competitividade não surge de forma imediata, mas é construída por meio de políticas públicas permanentes e de uma carteira de encomendas previsível.
Outro ponto ressaltado pela entidade foi o impacto do chamado “Custo Brasil”. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que entraves como burocracia, juros elevados, insegurança jurídica, dificuldades de financiamento e custos logísticos representam um peso significativo para a competitividade da indústria nacional.
Para o sindicato, esses fatores não podem ser atribuídos aos estaleiros, que já demonstraram capacidade técnica na construção de embarcações, plataformas offshore, módulos industriais e unidades voltadas ao setor de petróleo e gás.
O Sinaval destacou ainda que a retomada recente das atividades do setor já vem gerando empregos e movimentando cadeias produtivas ligadas à metalurgia, engenharia, tecnologia, transporte e serviços especializados. Segundo a entidade, cada emprego direto em estaleiros pode gerar aproximadamente cinco postos de trabalho adicionais em outros segmentos da economia.
A entidade também contestou a percepção de que embarcações importadas seriam sempre superiores às produzidas no Brasil. O sindicato afirmou que existem casos de navios e plataformas construídos no exterior que chegam ao país necessitando de ajustes técnicos e correções antes de entrarem em operação.
Como proposta para fortalecer o setor, o Sinaval defende a adoção de uma política de Estado voltada à construção naval, com programas de encomendas plurianuais, ampliação das linhas de financiamento, fortalecimento dos mecanismos de garantia, estabilidade das regras de conteúdo local e valorização de critérios tecnológicos e estratégicos nas contratações públicas.
Para o sindicato, a discussão sobre o futuro da indústria naval brasileira vai além da simples comparação de preços. A entidade sustenta que o setor representa uma ferramenta essencial para a geração de empregos, inovação tecnológica, arrecadação tributária, desenvolvimento logístico, produção de energia e fortalecimento da soberania nacional.