Crise não freia o avanço das cooperativas de transporte de cargas

Crise não freia o avanço...

As Cooperativas de Transporte de Cargas (CTCs) têm muitos motivos para comemorar em 2017. Após três anos consecutivos de recessão enfrentados pelo segmento de transporte rodoviário no país, elas têm conseguido manter o ritmo de seus negócios independentemente dos altos e baixos da economia. E quem faz essa afirmativa são os números.

De acordo com pesquisa realizada pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC), em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), as concorrentes mercantis das cooperativas acumularam uma queda média de 10,32% no faturamento. O levantamento apontou, ainda, que 56,3% dessas empresas diminuíram de tamanho. 

Enquanto isso, conforme levantamento da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), as cooperativas de transporte aceleraram e devem fechar 2017 com um faturamento 14,2% maior do que no ano anterior. Para 2018, a expectativa é de que a frota cresça 3,5% e que a quantidade de cargas tenha um incremento de 6,2%.

Esses dados possibilitam uma visão clara de termômetro de mercado. Os bons resultados das cooperativas durante o período de recessão e o otimismo com os próximos anos são fruto de seu modelo de negócios: o cooperativismo. A otimização e o compartilhamento de recursos dentro de sua estrutura comprovam a força desse modelo e, com base nele, projetam boas perspectivas de um crescimento sustentável.

Isso porque, o sistema cooperativista busca o desenvolvimento econômico dentro de uma cultura de colaboração, unindo forças para mitigar os riscos e para aproveitar as oportunidades, colocando-se competitivamente no mercado, uma vez que os cooperados são os donos do negócio e dividem esses papeis. Assim, configura-se o modelo de autogestão e participação democrática, somando-se a esses diferenciais as estruturas e áreas de inteligência de cada uma das cooperativas do ramo. 

Aliás, crescer com sustentabilidade tem sido o foco principal dessas cooperativas. E é com este horizonte em mente que o Ramo Transporte, um dos treze segmentos de atividades que compõem o cooperativismo brasileiro, faz seu dever de casa. Juntas, as CTCs buscaram novos modelos de negociação, pleitearam regulamentações que trouxessem uma base sólida para os cooperados, prospectaram seu crescimento junto a países da América Latina e encontraram novos caminhos que garantissem essa evolução contínua e sólida.

Um grande exemplo dessa articulação coletiva é a Central Rede Transporte, uma cooperativa de segundo grau responsável, desde 2015, pela negociação e fornecimento dos insumos necessários à operação das CTCs. Exercendo esse papel, ela trabalha para facilitar o dia a dia das cooperativas e estabelecer sua competitividade junto ao mercado.  

No caso do combustível, por exemplo, a Central negocia a compra em grande quantidade e o repasse, mesmo em um período de queda de preço, às suas associadas com um valor mais competitivo do que o encontrado no mercado. A lógica vale para pneus, peças e produtos diversos, como aplicativos e tecnologias que facilitem o dia a dia das cooperativas. 

A Central também permite a utilização compartilhada da frota. Isso quer dizer que, ao concluir o transporte de uma carga o caminhão volta carregado para sua base. Antes, o mais comum era o caminhão voltar com a carroceria vazia, gerando prejuízos e até danos ao veículo. É a cooperação, ou melhor, a intercooperação a favor do desenvolvimento coletivo.

Essa tem sido a realidade de uma relação de ganha-ganha. E não são só as cooperativas que têm se mostrado satisfeitas. Os clientes têm buscado cada vez mais profissionais especializados e comprometidos com seu negócio. E esse é o perfil de quem faz parte de uma cooperativa, afinal, quando cada profissional participa do processo de gestão, é natural que o comprometimento e a busca pela excelência sejam mais efetivos e motivadores.

E os resultados registrados pelo cooperativismo de transporte de cargas são exatamente isso: uma combinação entre investimento, inovação, garantia de carga, segurança, qualificação profissional e valorização daquele que vive, diariamente, a cooperação nas estradas do Brasil.

Por Abel Paré - coordenador nacional do Conselho Consultivo do Ramo Transporte da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e presidente da Central Rede Transporte.

 

 

Fonte: Portos e Navios

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